O "sim" dos veradores foi durante sessão extraordinária relizada nesta terça - Foto: Divulgação

Faltou transparência, sobrou autoproteção. Câmara enterra pedido de apuração contra dois vereadores

A Câmara de Vereadores fechou-se em seu corporativismo e sequer admitiu a abertura de procedimento para apurar, reitera-se, apurar representações que acusam dois vereadores de terem faltado com o dever ético e disciplinar.

Os pedidos eram simples, apenas de apuração dos fatos, mas foram arquivados com os votos da ampla maioria dos edis. Não se pretendia fazer julgamento prévio, somente a análise das denúncias dentro de um processo formal e com ampla defesa assegurada, conforme estabelecem os ritos do Código de Ética Parlamentar da Casa de Leis.

É importante notar que não houve discussão da pauta no plenário. Os dois vereadores alvos das representações disciplinares renunciaram até mesmo ao direito de fazer as respectivas defesas, com o tempo de 20 minutos para cada um, parecendo antever o resultado da votação favorável a eles.

A representação disciplinar contra Adnan El Sayed, do PSD, era por alegada calúnia que teria sofrido Sheila Ale Ghazzaoui, que afirma ter sido ofendida, inclusive, “por sua condição de mulher”. O edil nega as acusações e diz não haver provas. 

Isso não foi suficiente para convencer pela apuração nem mesmo a “Bancada da Mulher”, formada pelas vereadoras Anice Gazzaoui (PL), Yasmin Hachem (MDB) e Protetora Carol Dedonatti (PP). As três parlamentares votaram pela rejeição da abertura da medida investigativa.

A diretora da associação Casa de Malhú, Bruna Ravena, representou contra o vereador Cabo Cassol, do Podemos, imputando-lhe prática homofóbica por ele ter veiculado em redes sociais conteúdo preconceituoso contra a sigla e o Dia Internacional do Orgulho LGBT. A solicitação também foi arquivada.

Ressalta-se que, após a votação, Cassol deu declarações à imprensa afirmando que ter escapado de investigação por atribuída falta ética e disciplina o coloca “do lado da família”, como defensor dos “princípios e éticas morais que regem uma sociedade”. A anistia dada pela Câmara reforçou a narrativa do vereador e policial militar que agride o direito humano à diferença.

Ao arquivar os pedidos de apuração contra os dois vereadores, a Câmara de Vereadores perdeu uma vez mais a oportunidade de demonstrar transparência para a sociedade iguaçuense. E a ausência de transparência e isenção, nunca é demais lembrar, já cobrou um alto preço de legislaturas anteriores.

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