Número de pobres em Foz do Iguaçu cresceu 77% na pandemia

Mesmo em meio a essa crise social, a Prefeitura de Foz do Iguaçu e a Câmara de Vereadores acabam de decidir por uma nova taxação da população - Foto: Marcos Labanca

Mais de 46 mil moradores de Foz do Iguaçu estão em situação de pobreza e extrema pobreza. Em março do ano passado, no início da pandemia de covid-19, eram 9,8 mil famílias nessa situação, número que sofreu uma verdadeira explosão, passando para 17,5 mil famílias em outubro de 2021. Nesse período, o total de pobres na cidade cresceu 77%.

Os dados são do Cadastro Único, que é gerido pelo Ministério da Cidadania, recolhidos em reportagem do portal H2FOZ. Conforme uma nova e recente classificação instituída pelo governo federal, famílias com renda per capita de até R$ 100 são consideradas em situação de extrema pobreza, e aquelas com renda per capita até R$ 200 estão em condição de pobreza.

É importante notar que ao longo de 2020 praticamente não houve aumento nos indicadores, e o ano terminou com dez mil famílias em situação de pobreza ou de extrema pobreza. O índice começou a galgar em fevereiro deste ano, quando já eram 12,3 mil famílias vulneráveis, até alcançar 17,5 mil no mês passado, beneficiárias do extinto Bolsa Família, que está sendo substituído pelo Renda Brasil.

O que pode explicar contextos tão diferentes em dois anos igualmente atingidos pela pandemia, com a diferença de que neste ano em curso há o avanço da vacinação e as flexibilizações já ocorrem há meses? Investimentos pesados em proteção social e políticas públicas para beneficiar setores duramente atingidos pela crise econômica, especialmente os segmentos autônomos e informais, poderiam ter contido essa explosão da pobreza na cidade?

Há outros elementos que tornam o cenário ainda mais preocupante e que agravam as condições de vida da população mais pobre. A inflação, que encarece o preço de alimentos, e os reajustes de serviços públicos e do custo do transporte, por exemplo, comprometem ainda mais a renda dos estratos populares.

Mesmo em meio a essa crise social, a Prefeitura de Foz do Iguaçu e a Câmara de Vereadores acabam de decidir por uma nova taxação da população, praticamente dobrando o valor da taxa de coleta de lixo. E, como agravante, instituindo a cobrança para mais de 12 mil iguaçuenses que eram isentos desse pagamento, inclusive de moradias de categorias “precária” ou “baixa renda”.

Hoje, dos 257 mil moradores de Foz do Iguaçu, 46 mil dependem de programas sociais, quadro que forma um contraste dramático com a imagem da cidade projetada mundo afora. Fato é que, com as mesmas ações para tratar um problema, dificilmente se chega a resultados diferentes.

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