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Engenharia de alimentos: exata, biológica ou agrária?

Os alimentos e as bebidas que as pessoas compram para suas famílias, incluindo para os animais de estimação, possuem algo em comum: a atuação de um engenheiro de alimentos em alguma etapa no desenvolvimento de produto em escala industrial. O profissional faz parte da cadeia, desde a produção até a venda de frutas, hortaliças, carnes, pescados, leites, óleos vegetais, cereais e os produtos alimentícios para os pets.

O profissional formado em engenharia de alimentos, por curso autorizado pelo Ministério da Educação (MEC), pode atuar em empresas privadas; em setores e órgãos dos governos municipal, estadual e federal; com consultoria e na área de pesquisa.

De acordo com o MEC, a formação generalista engloba conhecimentos de diferentes áreas para tornar o universitário capacitado a exercer cargos diversos e obter os melhores salários. O Guia Salarial Robert Half considera alimentos e bebidas setores em destaque na área de engenharia para o ano de 2021, com grande demanda por este profissional no mercado.

Formação

O engenheiro de alimentos é preparado para elaborar, supervisionar e coordenar processos industriais, desde a escolha da matéria-prima, de insumos e de embalagens até as orientações sobre distribuição e armazenamento e de controle da qualidade dos produtos. O MEC destaca que o foco é disponibilizar produtos saudáveis aos consumidores, respeitando a ética, a segurança e o meio ambiente.

O profissional também pode atuar no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e limpas, envolvendo aproveitamento de resíduos nas indústrias. O MEC aponta que o engenheiro de alimentos pode cuidar da execução de estudos de viabilidade técnico-econômica e de obras e serviços técnicos, além de realizar fiscalização, vistorias, perícias e avaliações.

No vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) de 2021, 249 candidatos concorreram às 70 vagas na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP). O curso funciona no campus em Pirassununga. O texto de apresentação do curso explica que o profissional deve ter uma formação multidisciplinar para trabalhar em fábricas de rações, de embalagens, redes de supermercados ou de restaurantes, indústrias de biotecnologia, usinas de álcool, laboratórios que atuam na área.

No entanto, a abordagem humanizada não deve ser esquecida. O Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) ressalta que o engenheiro de alimentos possui uma grande responsabilidade social por interferir no cotidiano e na saúde das pessoas. Por isso, deve estar atualizado sobre legislação e quaisquer temas relacionados às questões alimentares.

O referencial curricular nacional do MEC indica uma carga horária de 3.600 horas que deve englobar disciplinas da biologia, física, química, economia, administração e meio ambiente. Por ser um curso da área de engenharia, não deve surpreender o fato de ter disciplinas específicas sobre álgebra, cálculo numérico, desenho técnico, números e funções, nos períodos iniciais, para compor a base necessária para o restante do curso.

“A disciplina de cálculo numérico está presente no ciclo básico do curso de engenharia de alimentos, ajudando a resolver problemas matemáticos através de algoritmos de aproximação. Na matéria, o aluno vai aprender diversos métodos para resolver integrais, equações diferenciais, ou até mesmo sistemas lineares, por exemplo, obtendo soluções aproximadas para os problemas”, explica o coordenador de conteúdo do Responde Aí, Jorge Alberto Santos.

Carreira

A Universidade do Vale do Rio dos Sinos, de São Leopoldo (RS), ressalta que o curso ensina os estudantes a buscarem inovações que atendam a demandas reais. Ao pesquisarem sobre as diferentes finalidades de recursos naturais, podem oferecer soluções que interessam às indústrias que cada vez mais necessitam deste profissional.

O Guia Salarial Robert Half para 2021 indica que alimentos e bebidas estão entre os setores em destaque na área de engenharia. Conforme o levantamento, as habilidades mais solicitadas do engenheiro de alimentos são a capacidade de comunicação, a flexibilidade, a agilidade, o equilíbrio emocional e a liderança. As técnicas exigidas são conhecimento de idiomas, habilidades tecnológicas, capacidade de inovação, visão de negócios e conhecimento de sustentabilidade.

O site Guia da Carreira aponta que a engenharia de alimentos tem média salarial acima de R$ 3 mil para iniciantes, R$ 10 mil para cargos intermediários e em torno de R$ 20 mil no auge da carreira. O profissional pode desempenhar diferentes funções, como diretor de logística, de engenharia, gerente de projetos ou de melhoria contínua e engenheiro de projeto. A remuneração aumenta quanto maior for a responsabilidade atrelada ao cargo. 

 

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