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Por: Cláudio Dalla Benetta - H2FOZ

Depois da Venezuela, Paraguai é o mais corrupto da América do Sul. E o Brasil piora

Depois da Venezuela, Paraguai é o mais corrupto da América do Sul. E o Brasil piora
No mapa da Anistia Internacional, quanto mais intenso for o vermelho, maior o índice de corrupção. Na América Latina, só escapam o Uruguai e o Chile. A Venezuela é que está pior.

A "nota" dos países no Índice de Percepção de Corrupção (IPC) da Transparência Inernacional baseia-se na percepção dos níveis de corrupção no setor público por especialistas de diversas instituições reconhecidas internacionalmente.

A escala vai de zero a 100, onde zero significa "altamente corrupto" e 100 significa "muito íntegro". Não há essa perfeição absoluta: as maiores notas foram obtidas por Dinamarca e Nova Zelândia (87 pontos). Ficaram em primeiro lugar como os países menos corruptos.

Mais de dois terços dos 180 países classificados tiveram pontuação abaixo de 50 no IPC DE 2019, com média de 43.

Na América do Sul, só dois países tiveram nota superior a esta média: Uruguai (71 pontos do máximo de 100) e Chile (67 pontos). São os menos corruptos da região.

Nem é preciso dizer que a Venezuela, com apenas 16 pontos, ficou entre os países mais corruptos, não só das Américas, como do mundo.

Os outros ficaram na mediocridade. Do melhor pro pior: Equador (38 pontos), Colômbia (37), Peru (36), Bolívia (31) e Paraguai (28).

Sobre o Paraguai: Nem é preciso dizer porque está com esta nota. É só ler os jornais, diariamente. Da propina aos guardas de trânsito à fuga de presos de uma penitenciária, tudo mostra que a corrupção está alastrada nos poderes públicos paraguaios. Uma praga difícil de combater.

Sobre o Brasil: os 35 pontos da nota brasileira equivalem ao valor mais baixo desde 2012 — ano em que o índice passou por alteração metodológica e passou a permitir a leitura em série histórica.

Com esse resultado, o Brasil caiu mais uma posição no ranking de 180 países e territórios, para o 106º lugar. Este 5º recuo seguido na comparação anual fez com que o país também atingisse sua pior colocação na série histórica do índice. Em 2018, o país já havia perdido dois pontos e caído nove posições.

Se serve de consolo (não serve), a Transparência Internacional informa que, nos últimos oito anos, apenas 22 países mostraram melhoria significativa em sua pontuação do IPC, como, por exemplo, a Grécia, a Guiana e a Estônia.

No mesmo período, 21 países tiveram significativa queda em suas notas, como o Canadá, a Austrália e a Nicarágua. Nos 137 países restantes, os níveis de corrupção sofreram pouca ou nenhuma alteração.

Efeito Odebrecht

Na América Latina, o que se sentiu, nos últimos anos, foi o "efeito Odebrecht", diz a Anistia, revelado pela Operação Lava Jato, no Brasil.

A operação "expôs esquema de corrupção em pelo menos dez países latino-americanos", revelando "uma forte expansão de contribuições políticas ou doações ilegais como parte de um dos maiores escândalos de corrupção da história".

E segue: "A Odebrecht – a gigante brasileira da construção civil que está no centro dos escândalos – foi condenada na justiça por ter pago US$ 1 bilhão em propinas ao longo dos últimos 15 anos, inclusive para lideranças políticas do Brasil, Peru, Argentina, entre outros países, durante eleições".

Pós-eleições

No Brasil, "a corrupção ainda é um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico e social".

Depois das eleições de 2018, "profundamente influenciadas por acentuada narrativa anticorrupção", (...) "o Brasil passou por uma série de retrocessos em seu arcabouço legal e institucional anticorrupção".

"O país também enfrentou dificuldades no avanço de reformas abrangentes em seu sistema político. Tais retrocessos incluem, entre outros, uma liminar do Supremo Tribunal Federal que praticamente paralisou o sistema de combate à lavagem de dinheiro do País e um inquérito ilegal que secretamente buscava constranger agentes da lei", analisa a Transparência Internacional.

E conclui: "Dentre os desafios atuais, há a crescente interferência política do presidente Bolsonaro nos chamados órgãos de controle e a aprovação de legislação que ameaça a independência dos agentes da lei e a accountability dos partidos políticos".

Conselho ao mundo

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O Índice de Percepção da Corrupção é produzido desde 1995 pela Transparência Internacional, que tem como visão "um mundo em que governos, empresas, a sociedade e as vidas diárias de pessoas estejam livres de corrupção".

É o sonho de todos nós, as vítimas da corrupção.

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