Eles e elas são dóceis, amorosos, brincalhões e fazem diferença na vida das pessoas. Os cães-terapeutas espalham carinho por onde vão e transformam os ambientes em pura alegria. E o melhor de tudo: eles circulam por Foz do Iguaçu.
O trabalho com cães-terapeutas é feito pela Organização Não Governamental (ONG) Dr. Patinhas. A atividade surgiu a partir da iniciativa da psicóloga Amanda Braz Ramirez, que é presidente da ONG.
Os cães atendem no Hospital Municipal, na ala da pediatria e psiquiatria; na Casa Abrigo Mulher e em duas residências inclusivas administradas pela prefeitura, que acolhem pessoas com deficiência. Em cada visita, os animais interagem durante uma hora com as pessoas e melhoram o clima dos ambientes.

Amanda explica que a terapia de animais é complementar à fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. O objetivo é humanizar os locais e estimular as pessoas que convivem a interagirem umas com as outras. A prática é conhecida por Terapia Assistida de Animais (TAA).

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Moradora de uma residência inclusiva, Cristina Jesus Ramos, 20 anos, diz que gosta muito da visita dos cãezinhos, de todos que vão lá. Mas prefere os grandes, porque “dá para abraçar à vontade”.
Matheus Jesus Ramos, 21 anos, abre o sorriso ao lado dos animais. “Sou apaixonado por cachorro e gato desde criança”, conta.

A ONG Dr. Patinhas surgiu a partir de um projeto criado 2025, quando Amanda cursava Psicologia na UniAmérica. Na ocasião, ela precisava desenvolver uma empresa e aí surgiu a ideia de trabalhar com terapia por meio de animais.
Inicialmente foi feito um projeto-piloto na APAE. A partir dos resultados positivos, a ONG foi formalizada com a abertura do CNPJ da Associação de Intervenções e Terapias Assistidas por Animais em Foz do Iguaçu.
Histórias especiais de seres especiais
Atualmente, a ONG Dr. Patinhas tem cerca de 30 voluntários, alguns com cães e outros sem. Uma delas é Máris Polo Paz, que participa do projeto com uma golden de 1,8 ano, a Adelaide.
Segundo Máris, ela decidiu ser voluntária no projeto porque já passou por um momento difícil na vida e foi justamente um cão golden que a ajudou a superar. Por isso, optou por outro da mesma raça após um sonho bem realista que teve.

Na ocasião, ela sentiu que passava a mão em uma orelha bem fofinha de um animal. Tempos depois, encontrou a Adelaide e reconheceu a sensação ao entrar em contato a golden.
Outro animalzinho do projeto é o yorkshire Thor, de 8 anos. Apesar de ter nascido com uma das patas atrofiadas, Thor se adaptou com a condição e hoje leva alegria para crianças e adultos. Tutora do Thor e voluntária da ONG, Marcela Prado relata que o cãozinho gosta do contato com outras pessoas e animais.

Conforme Marcela, depois que entrou no projeto, a vida dela mudou. “Eu vivia na internet.” Ela também destaca a condição do Thor. “Sabia que ela tinha algo especial além da condição física.”
Aline Pacheco é voluntária da Dr. Patinhas há três anos. Ela tem a Luna, uma lhasa apso de 5 anos. A tutora revela que conhecia o projeto e quando pegou a Luna já começou a prepará-la desde pequena para ser mais sociável e torná-la uma terapeuta. “Vi que ela tinha perfil, e eu amo animais.”

Perfil do cão-terapeuta
Para o animal tornar-se um cão-terapeuta, a ONG faz um teste. O objetivo é saber se o bichinho tem o perfil e se adapta à tarefa de interagir com humanos e com outros animais.
Na avaliação, o cachorro fica com outros animais e pessoas para verificar se é receptivo e aceita carinho. Passada essa fase, é feito um treinamento de dessensibilização com treinos e petisco para facilitar o contato com humanos, explica a médica-veterinária e vice-presidente da ONG, Amanda Furjan Rial.

Durante esse tempo de experiência e trabalho com a Dr. Patinhas, já foi possível perceber que há cães que têm mais facilidade com idosos e outros com crianças.
Entre as experiências marcantes, de acordo com a veterinária, está um atendimento a mulheres vítimas de violência. A cachorrinha dela, Amora, ao ver que uma mulher chorava ao relatar a história pessoal, subiu no colo dela espontaneamente e só saiu após a pessoa acalmar-se.
No Hospital Municipal, também há relatos de que crianças internadas por muito tempo e sofriam para receber medicação intravenosa ficavam mais tranquilas ao ser medicadas enquanto faziam carinho nos animais.
Como participar
Os tutores que queiram participar da ONG como voluntários precisam levar o animalzinho para uma avaliação, para ver se ele se encaixa no perfil de terapeuta.
Se for aprovado, passará a ser adestrado com comandos específicos. Os treinamentos geralmente ocorrem aos domingos, no Gramadão da Vila A.
O ingresso de animais domésticos e de estimação em hospitais está respaldado pela Lei Estadual 18.918/2016. Conforme a legislação, são considerados domésticos “todos os tipos de animais que possam entrar em contato com os humanos sem lhes proporcionar perigo, além daqueles utilizados na Terapia Assistida de Animais — TAA, como cães, gatos, pássaros, coelhos, chinchilas, tartarugas e hamsters”.
Benefícios para a saúde mental
Estudos indicam que a terapia assistida por animais traz inúmeros benefícios para os humanos, entre os quais a redução da pressão arterial.
Outra importante contribuição é a liberação de um neurotransmissor chamado ocitoxina, popularmente conhecido por “hormônio do amor”, e, por outro lado, a redução do cortisol, “hormônio do estresse”.
No Brasil, a reabilitação de pacientes com auxílio de animais teve início em 1950, por intermédio da psiquiatra Nise da Silveira, pioneira em incluir bichos na reabilitação de pacientes psiquiátricos.
Hemopatinhas: doação que salva vidas
Outra característica terapêutica e assistencial dos animais é a doação de sangue. Em Foz do Iguaçu, um projeto de extensão desenvolvido por estudantes do curso de Medicina Veterinária da Descomplica/UniAmérica busca conscientizar a população sobre a importância da doação de sangue animal.
Iniciativa dos acadêmicos Amanda dos Santos, Emanuelle Ziomko de Souza, Jonathan Mocellin Rossato e Nicole Kauane Vicente da Silva, do primeiro período, o projeto Hemopatinhas vem suprir uma lacuna que é a falta de informação sobre o procedimento entre animais.
De acordo com os estudantes, muitas pessoas não sabem que cães e gatos podem precisar de transfusões sanguíneas em casos de acidentes, cirurgias, anemias e outras doenças.
Por isso, os alunos realizam ações educativas e campanhas de conscientização para informar tutores sobre a relevância da doação, incentivar a formação de novos doadores e contribuir para que mais animais tenham acesso a esse recurso, que pode ser decisivo para salvar vidas.

Para divulgar a iniciativa, o grupo distribui panfletos pela cidade, inclusive na Feirinha da JK aos domingos. Eles também têm uma conta no Instagram, na qual esclarecem acerca da importância da doação e de pré-requisitos para os animais doarem sangue.
A doação é complexa e segue critérios rigorosos, esclarece a médica-veterinária Amanda Rial. O primeiro problema é a ausência de um serviço público na área de veterinária em Foz. As clínicas particulares, para fazer transfusões, precisam absorver custos, entre os quais uma série de exames para descartar possíveis doenças nos animais doadores e verificar se eles estão aptos à retirada do sangue.
São inúmeros os requisitos para os animais se encaixarem no perfil de doador. No caso de cães, é necessário que sejam dóceis e calmos para permitir o acesso venoso sem necessidade de sedação profunda.
O animal precisa ter entre 1 e 7 anos, pesar pelo menos 25 quilos e não ser obeso. Também é necessário estar com a vacinação e vermifugação rigorosamente em dia, a exemplo do controle de ectoparasitas, ou seja, não pode haver pulgas e carrapatos.
Em relação aos felinos, o procedimento é mais complexo, por isso é preciso uma sedação leve e segura. O peso mínimo do doador varia de 4,5 quilos a cinco quilos.
Mais informações:
@dr.patinhasaitaa
@hemopatinhas


