5 coisas sobre o mosquito da dengue, doença que matou 2 pessoas em Foz, que você pode não saber. Mas deve

A fêmea do mosquito em ação. Ela se alimenta do nosso sangue. Foto: Himas Rafeek/Pixabay

Não adianta tapar o sol com a peneira, como diz o dito popular. E peneira ante o sol é fazer de conta que a covid-19 é não mais que uma gripe e que a dengue só atinge os pobres da periferia, como, neste último caso, gosta de pensar a classe média.

A verdade é que as duas doenças matam. E ambas são “democráticas”, isto é, não escolhem raça, credo, cor, ideologia ou classe social. A grande diferença entre as duas é que a dengue pode ser evitada mais facilmente, enquanto a covid-19 exige cuidados especiais, o que inclui distanciamento social.

Pra dengue, há um “remédio” específico: a limpeza dos locais onde há a procriação do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da doença.

O jornal paraguaio Última Hora, país onde a dengue é endêmica (como em Foz; leia ao final), publicou uma lista de “5 coisas que provavelmente você não sabe sobre o mosquito da dengue”. Pra combater um inimigo, é preciso conhecer sua força e suas fraquezas. Veja, então, como é nosso inimigo. As observações depois da informação numerada são nossas:

1 – O mosquito Aedes aegypti se reproduz depositando seus ovos nas paredes de recipientes que acumulam água. Os ovos medem aproximadamente 0,4 milímetros e são difíceis de ser observados a olho nu. Não basta retirar a água de um vaso de flor, por exemplo, mas tem que raspar as paredes, já que os ovos podem ficar grudados por mais de um ano, até ter novamente contato com a água e seguir o processo de crescimento.

Você sabia disso? Um ano esperando por uma aguinha…

2 – O Aedes aegypti vive entre duas semanas e um mês como mosquito adulto. Ele é muito sensível à luz, por isso procura as partes mais escuras do criadouro para poder sobreviver, alimentar-se e continuar com o processo de crescimento.

3 – O Aedes aegypti é de cor escura com manchas brancas. Ele tem cabeça, tórax e abdômen. É muito mais ativo durante o dia. Ele (ou melhor, ela, a fêmea) costuma picar nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. E voa de 25 a 100 metros, por isso é importante que toda a comunidade seja envolvida na eliminação de criadouros.

Se você costuma fazer caminhadas no horário em que habitualmente o mosquito ataca, lembre-se de no mínimo usar repelentes. Quer saber mais sobre repelentes? Veja o que diz a Anvisa: Cuidados no uso de repelentes

4– O mosquito macho só se alimenta de néctar de plantas e flores, mas a fêmea se alimenta de sangue (pior, do nosso!) e pode dar origem a 1.500 mosquitos, aproximadamente, durante toda a sua vida.

Se o criadouro não for eliminado, em apenas duas semanas ou um mês de vida da fêmea serão mais 1.500 inimigos à solta.

5 – O Aedes aegypti sente atração pelas cores escuras e brilhantes.

Quer dizer, ele se daria bem numa discoteca daquelas antigas, com luzes estroboscópicas (é só uma brincadeirinha).

Conclui o jornal Última Hora que, “como é endêmico e quase incontrolável, conter a proliferação do Aedes aegypti está nas tuas mãos. Elimine os criadouros do mosquito e colabore com um ambiente mais saudável no seu entorno. Evitar outra epidemia de dengue é tarefa de todos. Faça sua parte”.

Vale para o Paraguai e para qualquer localidade onde a dengue é endêmica. Como Foz do Iguaçu.

Além de tudo, o Aedes é um bichinho muito feio. Foto Agência Brasil/Reuters

ENDEMIA E EPIDEMIA

Foz é considerada endêmica para a dengue, isto é, a doença tem casos frequentes no município. Aliás, a dengue virou também epidêmica, que é quando o número de casos fica muito acima do esperado.

E, no ano epidemiológico de agosto de 2019 a julho de 2020, Foz enfrentou uma das piores epidemias de dengue da história, com mais de 19 mil casos confirmados.

No ano epidemiológico que vai de 1º de agosto de 2020 a 31 de julho de 2021, Foz já registra 3.951 notificações e 203 casos confirmados de dengue, dos quais 14 do tipo grave. Duas pessoas morreram, de acordo com o último boletim da Vigilância Epidemiológica, divulgado na terça-feira, 12.

A última morte por dengue registrada no Paraná foi justamente em Foz do Iguaçu, que agora lidera em número de óbitos. Os outros municípios que registraram uma morte, neste ano epidemiológico, foram Apucarana, Assaí, Londrina e Cambé.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, diz que, “mesmo diante da pandemia da covid-19, não podemos nos descuidar da dengue”.

Verdade. Principalmente depois que a gente aprende um pouco mais sobre o mosquito transmissor.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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