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A emergência climática e a conivência do poder público

Mesmo com as mudanças climáticas, o corte desenfreado de árvores e destruição dos ecossistemas continuam.

3 min de leitura
A emergência climática e a conivência do poder público
Árvores protegidas por lei foram 'trocadas' por mudas a serem plantadas. Foto: Goura

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Os alertas dos especialistas estão cada vez mais intensos em relação aos reflexos das mudanças climáticas extremas. Para este final de semana, a previsão é de ventos fortes e tempestades em um corredor que atinge Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, passando por São Paulo e Rio de Janeiro.

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Há poucos dias, uma cena de trabalhadores pendurados em um andaime, sacodido por fortes rajadas de vento, durante obra em prédio no Rio de Janeiro, gerou apreensão e medo. Foram salvos por uma trabalhadora doméstica que abriu a janela do apartamento em que estava trabalhando. Para este final de semana, no Rio de Janeiro, as orientações eram de não visitar parques e áreas abertas, fechar bem as janelas e deixar as cortinas de modo que possam ajudar a proteger que possíveis estilhaços se espalhem, assim como evitar áreas de risco.

  • Essas cenas, que até então eram praticamente inusitadas no Brasil, já passam a fazer parte do cotidiano de tragédias que fazem cada vez mais vítimas. E onde é que estão as autoridades responsáveis por debruçar-se sobre esse tema? Se estamos referindo-nos ao Congresso Nacional, estão dando de ombros.

No Pará, Pantanal e Santa Catarina, por exemplo, áreas que deveriam estar protegidas são ameaçadas pelos congressistas que apoiam projetos em prol de sua redução ou mesmo do grau de proteção delas. Parece que estamos vivenciando uma espécie de “corrida maluca”.

Por mais que os estudos comprovem a relação entre preservação ambiental e mudanças climáticas extremas, os que assumem o papel de guardiões da natureza não estão mesmo nem aí. Mais exemplos? Um prático, registrado pelas redes sociais: na semana que encerrou, em Almirante Tamandaré, um bosque com espécies que deveriam ser protegidas por lei, inclusive a araucária, teve autorização do IAT (Instituto Água e Terra) para ser derrubado. A justificativa era de corte de árvore isolada.

O deputado Goura (PDT) fez a denúncia formal daquilo que qualquer um poderia presenciar, por mais leigo que seja, de que ali estava havendo mais um dano ambiental: “Na Rua Beija-Flor, no Bairro Tanguá, abriga quatro araucárias (Araucaria angustifolia) e 19 espécimes de mata nativa, como Pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii), a Erva-mate (Ilex paraguariensis), a Canela-guaicá (Ocotea puberula) e a Aroeira (Lithraea brasiliensis), com um volume total de 14,64 metro cúbicos de material.”

  • Para o IAT foi uma troca justa. Derruba-se um bosque inteiro de árvores, que demoraram no mínimo meio século para atingir o tamanho que é de encher os olhos de qualquer lenhador, em troca de 230 outras mudas nativas plantadas em área urbana. Simples assim.

Trocar um bosque por terra arrasada, por terra arada, para dar lugar ao que for que seja, que não mais um espaço para a biodiversidade, deveria soar insano, quando estamos falando de hiperaquecimento global. Mas não é. Ao menos para quem tem a caneta. Chefias de órgãos ambientais jamais deveriam pertencer ao baralho dos políticos — e, como diz o ditado, já que o são, que sejam trocados como as fraldas, pelo mesmo motivo.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    AIDA FRANCO DE LIMA

    AIDA FRANCO DE LIMA

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

    1 comentário em “A emergência climática e a conivência do poder público”

    1. Ale

      Infelizmente, a sanha destruidora irá continuar já que muitos políticos não estão nem aí para o meio-ambiente. Aqui em Foz vemos, com frequência, áreas de mata serem derrubadas sem dó nem piedade para dar lugar “ao progresso”. E a compensação ambiental? Doam-se mudas que, se forem rastrear, provavelmente ninguém sabe onde foram parar.

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