Fronteiras abertas? Veja situação da covid-19 em Foz, no Paraná, no Brasil e nos países vizinhos

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Não adianta esconder a cabeça na areia, como faz o avestruz quando é incapaz de fugir de um predador. É melhor ter o maior conhecimento possível do que faz o inimigo pra se precaver.

E o inimigo comum à humanidade, neste 20º ano do século 21, é o novo coronavírus. Nome científico: SARS-CoV2. Ele provoca a covid-19, uma doença respiratória que pode levar à morte.

Às 10h deste sábado, 5, já havia no mundo 26.654.344 casos confirmados da doença e 875.400 mortes, números que são atualizados rapidamente no painel on line da universidade americana Johns Hopkins.

Vamos, então, ver como está a doença em Foz e na vizinhança toda, com algumas comparações pra se entender um pouco mais o risco que todos corremos. Devemos entrar em pânico? Não, devemos tomar muito cuidado e obedecer aos protocolos sanitários.

Aliás, na noite desta sexta-feira, 4, alguns bares da área central de Foz estavam lotados. E o que se observou foram aglomerações, muita bebedeira e muito descuido. Daqui a 14 dias poderemos ter um resultado de tanta inobservância aos regulamentos sanitários e à falta de uma fiscalização adequada.

Vale lembrar: se a situação não melhorar, dificilmente as fronteiras serão reabertas a médio prazo. E a volta às aulas, no Paraguai, já não deve acontecer no primeiro trimestre de 2021.

Em Foz, média móvel de casos está em alta

Números oficiais da sexta-feira. Fonte: Vigilância Epidemiológica

O “relaxamento social” em Foz do Iguaçu não se justifica. Ao contrário. A média móvel de casos na última semana, até sexta-feira, foi de 76,57, superior à de duas semanas atrás. Isto é, depois de uma queda, crescem os contágios.

Quanto mais casos, mais mortes. É matemático. O índice de letalidade (morte em relação ao número de casos) permanece baixo, em Foz: em 1,26%. Traduzindo: é baixo, mas se os casos se multiplicarem, este mesmo índice vai representar um número crescente de mortes. Até sexta, eram 68 óbitos, conforme os dados da Vigilância Epidemiológica.

Outro comparativo importante é que a regional de Saúde de Foz permanece em 2º lugar no Paraná, em casos. São 1.780 por 100 mil habitantes, atrás apenas de Paranaguá (1.806 por 100 mil) e acima da média paranaense (1.206). A regional continua em estado de atenção, que é quando os casos ficam entre a metade e o total da média no Estado.

Já em mortes, a situação da regional de Foz está melhor, em 11º lugar, com o indice de 21,4 óbitos por 100 mil habitantes. A região metropolitana de Curitiba, que está em estado de emergência, tem 48,1 casos por 100 mil, enquanto a média paranaense é de 30,2 por 100 mil habitantes.

Um dado muito positivo em Foz é o índice de recuperação. Dos 5.400 casos confirmados, há 5.111 recuperados, ou 94,65% do total.

Os 60 leitos de UTI estão com 54 pacientes (90% de utilização). Já os 64 leitos de enfermaria têm 37 pacientes (57.81% de ocupação).

Dos 91 pacientes internados, há 67 confirmados para covid-19 residentes em Foz. O restante são casos em análise ou moradores de outros municípios (em UTI, há 3 de Santa Terezinha de Itaipu, 2 de São Miguel do Iguaçu, 1 de Missal e mais 1 de outra localidade).

Veja no mapa se seu bairro está entre os mais atingidos pelo novo coronavírus:

No Paraná, mais casos e menos mortes na média móvel

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou nesta sexta-feira (4) 1.902 novos casos e 56 óbitos por covid-19. O Paraná acumula 138.293 casos e 3.467 mortes em decorrência da doença, como informa a Agência Estadual de Notícias.

A média móvel, nos sete dias até sexta, é de 1.813 casos confirmados, ligeira alta de 0,6% em relação há 14 dias. A média móvel de mortes fechou em 34, com 13,8% óbitos a menos que 14 dias atrás.

Os recuperados somam 95.386, 69% do total de casos. O Estado tem 1.024 pacientes internados com diagnóstico confirmado de covid-19: 874 em leitos SUS (390 em UTI e 484 em leitos clínicos/enfermaria) e 150 pacientes em leitos da rede particular (48 em UTI e 102 em leitos clínicos/enfermaria).

Há outros 1.240 pacientes internados, 495 em leitos UTI e 745 em enfermaria, que aguardam resultados de exames. Eles estão em leitos das redes pública e particular e são considerados casos suspeitos de infecção pelo vírus Sars-CoV-2.

Média móvel no Brasil é considerada estável

O consórcio jornalístico formado por O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, O Globo, G1 e Extra traz números um pouco diferentes dos oficiais, divulgados pelo Ministério da Saúde.

Por esses números, o Brasil chegou na sexta-feira, 4, a 125.584 mortes (o número oficial é um pouco mais baixo, 125.521). Há ainda 2.492 óbitos em investigação.

A média móvel de mortes, que calcula os óbitos diários com base em rgistros dos últimos sete dias, mostra 856 óbitos por dia, resultado considerado estável em 14 dias (- 13%), de acordo com o consórcio jornalístico.

Segundo o Ministério da Saúde, 4.092.832 pessoas foram infectadas com o coronavírus, desde o início da pandemia.

A taxa de letalidade (número de mortes pelo total de casos) ficou em 3,1%. A mortalidade (quantidade de óbitos por 100 mil habitantes) atingiu 59,7. A incidência dos casos de covid-19 por 100 mil habitantes é de 1.947,6.

Os estados com mais mortes: São Paulo (31.091), Rio de Janeiro (16.467), Ceará (8.555), Pernambuco (7.645) e Pará (6.228).

Com menos mortes: Roraima (598), Acre (623), Amapá (670), Tocantins (730) e Mato Grosso do Sul (939).

Veja o quadro e a posição do Paraná em casos e mortes.

Quadro preparado pela Agência Brasil

Paraguai tem maior número de mortes em um só dia

O Ministério de Saúde Pública do Paraguai informou na sexta-feira que houve o registro de 25 mortes em 24 horas, número recorde até agora. Os óbitos correspondem a dias diferentes, mas foram reportados ontem.

O total de mortes é agora de 398. Os casos confirmados subiram para 20.654 e o de recuperados para 10.523. O índice de recuperação caiu ainda mais no Paraguai. Agora, é de 50,9% do total de casos.

Com medo de um eventual colapso no sistema de saúde, o governo paraguaio autorizou o Ministério de Saúde Pública a contratar hospitais privados para internação, inclusive em UTIs, e laboratórios para os testes.

O ministro Julio Mazzoleni já admite que as aulas poderão não retornar no primeiro trimestre de 2021, se a pandemia continuar sem controle.

Quanto às fronteiras, o governo mantém a posição de que não devem ser reabertas, para tentar frear a contaminação, apesar de todos os protestos e pedidos de empresários e políticos das regiões fronteiriças.

Argentina sobe no ranking mundial em casos e mortes

Números na Argentina estão em alta, o que prreocupa ainda mais autoridades de Saúde. Foto Agência Télam

Apesar de todas as medidas de controle adotadas pelo governo argentino, o país voltou a subir no ranking mundial, pelo aumento de casos e de mortes.

Na sexta-feira, 4, a Argentina somava 461.882 casos, subindo para a 10ª posição no ranking mundial, agora à frente do Chile, França e Reino Unido, que antes estavam bem à frente.

Com 9.623 mortes, o país vizinho foi para a 16ª posição no ranking, mas permanece atrás do Chile (11.494), da França (30.730) e do Reino Unido (41.626), para citar só os que perderam posição em casos.

Como acontece em outros países, houve um relaxamento por parte da população. A agência de notícias Télam, do governo argentino, disse que o ministro da Saúde, Ginés González García, fez um alerta: “Até termos a vacina, temos a obrigação de cuidar de nós mesmos. Vejo que há um afrouxamento do que foi uma conduta exemplar dos argentinos”.

E acrescentou: “Aquele pacto social que todos nós tínhamos, para alguns está rompido. Mas deve ser cumprido, porque se não teremos as consequências que algumas províncias argentinas estão começando a ter”.

Fernán Quirós, ministro de Saúde de Buenos Aires, ainda agora o epicentro da pandemia no país, informou que, desde a metade de julho, a média diária de casos permanece elevada, entre 1.100 e 1.300. Mas ele vê também como “absolutamente preocupantes” os números nacionais, pois mostram que a doença se espalhou pelo interior.

Panorama mundial

No painel da universidade Johns Hopkins, os países que lideram em casos e mortes.

A própria agência Télam traz um balanço mundial da covid-19, mostrando que houve novos surtos que puseram em alerta países como a Nova Zelândia, que teve a primeira morte depois de três meses, enquanto a Coreia do Sul e a Espanha voltaram a adotar restrições.

Já a Índia, com 4.023.179 casos, continua a se aproximar do Brasil, 2º no ranking mundial. A Índia está em 3º no ranking, tanto em casos quanto em mortes (69.651), com ascensão rápida.

Os Estados Unidos, país mais atingido pela pandemia, já tem mais de 6,2 milhões de casos e quase 188 mil mortes.

Mas o estado de Nova York, que era o epicentro da pandemia, que agora está com um índice de infecção inferior a 1% (um portador do vírus transmite na média a menos de uma pessoa), vai reabrir os centros comerciais e os cassinos na semana que vem.

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