Servidor da Fiocruz prepara a vacina da AstraZenca/Oxford para aplicação. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Argentina ou Brasil: que país ganha a disputa de qual vacina mais rápido a população?

É claro que é só uma brincadeira pra aproveitar a eterna competitividade de brasileiros e argentinos no futebol. Quem vence a disputa para ver qual país imuniza antes a população?

Por enquanto, está tudo muito devagar, mas o Brasil está ganhando da Argentina. O site Our World In Data mostra que, até esta terça-feira, 23, o Brasil imunizou o equivalente a 3,31% da sua população. É pouco? Claro. Mesmo assim, o País está em 19º lugar no mundo, atrás de países mais ricos.

A Argentina, embora tenha começado ligeiramente antes, está em 22º lugar. Em números absolutos: o Brasil vacinou, até domingo, 5,86 milhões de pessoas; a Argentina, 458.822.

Mas agora é que a briga começa pra valer. O governo de São Paulo, segundo a Agência Brasil, anunciou nesta terça-feira o envio de 3,9 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.

De 5 de fevereiro a 5 de março, o governo paulista estima entregar mais 5,6 milhões de doses ao PNI, 65% a mais que o volume previsto inicialmente.

“No início de março, o Instituto Butantan vai disponibilizar mais 1,7 milhão de vacinas para a imunização do país, estando previstas remessas de 600 mil doses no dia 2; 500 mil, no dia 4 e 600 mil, no dia 5”, disse o governo de São Paulo, em nota.

Vai somando. Enquanto o Butantan se esforça com a CoronaVac, mais 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra covid-19 já estão no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), onde irão passar por conferência de temperatura e integridade da carga, receber etiquetas com informações em português e ter amostras encaminhadas para análise de protocolo e liberação pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz).

O processo está ocorrendo ao longo desta terça-feira (23), e a previsão é que as doses estejam prontas ainda na madrugada desta quarta-feira (24). Após esse processo, elas serão entregues ao Ministério da Saúde.

Mais 8 milhões de doses estão previstas pelo acordo com os parceiros AstraZeneca e Instituto Serum, mas ainda não há data prevista para o recebimento. Em janeiro deste ano, a Fiocruz já havia recebido 2 milhões de doses da vacina.

NA ARGENTINA

Mais um voo rumo a Moscou para trazer à Argentina a Sputnik V. Foto Agência Télam

O jornal La Prensa informa que um avião da Aerolíneas Argentinas partiu esta terça-feira à China para trazer 1 milhão de doses de vacinas da Sinopharm. O avião volta ao país na quinta-feira à noite.

Como diz o site Infobae, a chegada das vacinas russas à Argentina criou a falsa sensação de que a pandemia estava sob controle. Mas menos de 500 mil pessoas vacinadas, numa população de mais de 45 milhões, é pouco. É até bem menos do que 5,86 milhões de pessoas vacinadas numa população de mais de 212 milhões, caso do Brasil.

POUCO NOS DOIS

Se for considerado o percentual de brasileiros e argentinos que receberam as duas doses de vacina, necessárias para a total imunização, aí o número míngua e fica igual: 0,6% da população dos dois países.

A vantagem do Brasil sobre a Argentina, no entanto, é bem clara: o Brasil produz vacinas. Tanto no Butantan, por enquanto com insumos importados da China, quanto na Fiocruz, também com insumos importados.

SABE O QUE É IFA?

IFA, o vírus desativado como base para a vacina. Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Mesmo produzindo localmente, Fiocruz e Butantan vão precisar, por algum tempo, do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), produzido em outros países. Quer dizer, o Brasil pode ganhar a “disputa” com a Argentina, mas ao longo do tempo. Por enquanto, vai depender de quem for mais “esperto” para adquirir vacinas num mercado complicado para países que não têm apenas dinheiro, mas prestígio.

O IFA, como explicou há algum tempo a Agência Brasil, é o ingrediente que mantém o corpo do micro-organismo “morto”, incapaz de se replicar e provocar uma infecção. Ao receber a vacina, o corpo da pessoa vacinada passa a conhecer a estrutura do coronavírus e produz defesas específicas contra suas formas de ataque.

Tanto Bio-Manguinhos, da Fiocruz no Rio, quanto Butantan, em São Paulo, estão em preparação para produzir o IFA no Brasil, garantindo assim a autossuficiência na produção das vacinas. Na Fiocruz, o laboratório que será responsável pela produção já estava construído, precisou ser adaptado e está recebendo os últimos equipamentos este mês, para que possa passar por uma avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março.

Em seguida, a previsão é que as primeiras operações para a produção do IFA em Bio-Manguinhos comecem em abril. No segundo semestre deste ano, a vacina estará nacionalizada, com a produção do IFA sendo feita aqui e toda a formulação também.

A expectativa da Fiocruz é de que a validação dos processos do IFA nacional esteja concluída em julho, para que então seja solicitada à Anvisa a inclusão do novo local de fabricação do insumo no registro da vacina.

No Butantan, a produção nacional está prevista para janeiro de 2022, com a primeira produção experimental em dezembro deste ano. O IFA será produzido em uma nova fábrica que começou a ser construída pelo governo do estado de São Paulo em novembro do ano passado e tem inauguração prevista para o fim de setembro deste ano.

Observe a data: 2021 pode ser o início da grande largada, mas 2022 continuará a ser um ano de imunizações. Quando largar máscara cirúrgica e deixar de se preocupar com aglomerações? Em 2021 é que não…

QUEM GANHA?

Em números absolutos, o Brasil está bem: terceiro lugar. Mas, na América Latina, é o Chile que aparece em primeiro, com mais de 12% da população imunizada.

 

Brasil e Argentina: desonroso empate no número de pessoas que já receberam as duas doses.

Na verdade, não é uma disputa pra valer. Os dois países estão numa situação similar, com dificuldade de acesso às vacinas, embora melhor – a situação – do que a de países como o Paraguai e o Uruguai, quase fora do mercado.

Mas terão que se apressar, brigar, fazer o possível para que suas populações estejam imunizadas no melhor tempo possível. Uma previsão feita há algum tempo indicava que isso ocorreria no Brasil em mais de quatro anos; na Argentina, a perder de vista.

Provavelmente, excesso de pessimismo. É o que argentinos e brasileiros estão mostrando, embora ainda devagar, quase parando…

Fontes: Infobae, Agência Brasil e Agência Télam e La Prensa

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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