Covid-19 não dá trégua: balanço de casos e de mortes em Foz, no Paraná, no Brasil e nos vizinhos

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Em países onde a pandemia parecia sob controle, voltam a surgir novos casos. E, naqueles que agora atravessam uma fase aguda, como o Brasil, já virou uma triste rotina verificar que as mortes passam de mil, todos os dias.

Nas informações abaixo, algumas vezes são feitas comparações entre países e regiões, inclusive proporcionalmente à população, mas também apenas para registro do aumento de casos e mortes, independentemente de proporcionalidade. Porque, proporcionalmente ou não, o que se tem de fato é que a pandemia não foi plenamente superada nem na Europa e não poupa países ricos nem pobres. E nós, os pobres, estamos entre a cruz e a espada: abrir toda a economia e deixar o vírus livre ou fechar tudo e matar a população de fome?

Foz, um país

Vamos aos fatos. Num rápido balanço, sem os números deste domingo, Foz do Iguaçu registra 2.905 casos e 26 mortes. Veja que, se fosse um país, com seus parcos 260 mil habitantes, Foz estaria à frente de 55 países, em número de mortes pela covid-19, conforme o registro do painel on line da universidade americana Johns Hopkins.

Entre esses países, sem considerar a população, estão, por exemplo, a Islândia (10 mortes), a Jamaica (idem), Taiwan (7 mortes) e Uganda (1 morte). Por falar em Uganda, com exceção da África do Sul (6.665 mortes), a grande maioria dos países africanos tem casos e mortes pouco significativos, em comparação com outras regiões.

O Paraná, um país

O Paraná, até o final do sábado, registrava 64.896 casos e 1.623 mortes. Em mortes, bem mais da metade das 2.893 registradas na Argentina. Se fosse um país, estaria na frente de pelo menos outros 150, incluindo os populosos Japão e Coreia do Sul, além de países vizinhos, como Uruguai (34 mortes), Paraguai (40) e Venezuela (138).

E, mesmo com esses dados, o Paraná não está entre os estados brasileiros com mais casos e mortes. Mas também já não está na lista dos que menos preocupam.

Os estados com mais mortes são, pela ordem: São Paulo (21.517), Rio de Janeiro (12.808), Ceará (7.476), Pernambuco (6.299) e Pará (5.689).

Com menos óbitos pela pandemia estão os estados do Mato Grosso do Sul (292), Tocantins (340), Roraima (473), Acre (483) e Amapá (554). De novo, vale observar que onde há o menor registro, as 292 mortes no Mato Grosso do Sul, superam a matança que a pandemia fez na Noruega (255 mortos), Grécia (201), Austrália (155), Venezuela (138) e Nicarágua (108), pra ficar só em alguns de três continentes.

Brasil, o país

De quarta-feira até sábado, dia 25, o Brasil registrou mais de 50 mil casos de covid-19 por dia, segundo a Agência Brasil. Foram 59.962 na quinta-feira, por exemplo, mas foi a quarta-feira que abateu o recorde desde o início da pandemia – 67.860 casos. Há 2.394.513 brasileiros infectados pelo novo coronavírus.

Deste total, 1.617.480 estão recuperados (67,5%). Mas, quanto mais casos, mais mortes. Até sábado, a pandemia tinha matado 85.328 brasileiros, além de outras 3.691 mortes estarem em investigação.

De sexta para sábado, foram 1.211 mortes. Pelos números que divulgamos aqui na segunda-feira, 20, o Brasil tinha 2.099.896 casos e 79.533 mortes. Em sete dias (contando desde o domingo passado até o último sábado), houve mais 294.617 casos e 6.896 mortes.

Na média, foram 42.088 casos e 985 mortes por dia. Se for feita uma comparação com os registros de casos nos Estados Unidos, no mesmo período, surge uma preocupação a mais: parece que estamos superando as médias de mortes daquele que é o número 1 do ranking dos países, embora o número de casos diários seja maior por lá.

Na segunda-feira, 20, com dados de domingo, os Estados Unidos tinham 3.773.832 casos e 140.541 mortes. Pelos números do último sábado, já são 4.178.730 casos e 146.463 mortes.

Mais mortes que nos EUA

Se a atualização se deu nos mesmos dias que no Brasil, isso significa que, em sete dias, os Estados Unidos tiveram mais 404.898 casos e mais 5.922 mortes. A média diária ficou em 57.842 casos, superior à brasileira, e 846 mortes, menos que no Brasil.

É claro que, proporcionalmente, há bem menos casos e mortes aqui do que lá, na soma total. Mas essa última comparação vale, se for confirmada nos próximos dias, porque é a primeira vez que o Brasil supera a média americana de mortes (aos que gostam de proporcionalidade, a população americana é 1,5 vez maior que a brasileira).

Países vizinhos

O vizinho Paraguai está bem, com seus 4.328 casos e 40 mortes. Mas já esteve bem melhor. Estava atrás, por exemplo, do Uruguai, que agora tem 1.174 casos e 34 mortes. Na América do Sul, o Uruguai só está pior que a Guiana, que registra 360 casos e 20 mortes.

O que vem assustando as autoridades de Saúde do Paraguai é o rápido aumento de casos e mortes. Só nesta semana, o país teve mais de 600 casos confirmados e onze mortes. Isso, considerando que até poucas semanas atrás o Paraguai mantinha uma quarentena rigorosa.

O vice-ministro de Atenção Integral à Saúde, Juan Carlos Portillo, disse ao Última Hora que o país sempre atuou no sentido de evitar um pico da doença, “porque isso pode significar, eventualmente, o colapso do sistema de saúde, se acontecer de forma muito aguda”, com doentes “saturando hospitais” e mais mortes.

O Ministério de Saúde Pública do Paraguai observa com mais atenção a capital, Assunção, e os departamentos Central e Alto Paraná (cuja capital é Ciudad del Este), onde a pandemia avançou mais rapidamente, a ponto de essas regiões ficaram de fora da fase 4 da quarentena inteligente.

Para sair da fase 3, foi dado um prazo de mais duas semanas, que pode ser reavaliado dependendo das circunstâncias. “Estamos recolhendo dados para conhecer o comportamento por território dos departamentos e de Assunção, de maneira que possamos planejar um ajuste especial para cada território”, disse Portillo.

Na Argentina

A situação do Paraguai, em maior grau, é semelhante à da Argentina, que recém abriu suas atividades econômicas. Em uma semana, a pandemia matou 633 argentinos, enquanto o número de casos subiu de 126.755 para 158.334.  

As autoridades argentinas e da capital, Buenos Aires, já estudam voltar atrás em algumas flexibilizações, para conter este avanço do vírus.

O painel da universidade Johns Hopkins. Os números são atualizados constantemente.

No mundo

O painel on line da universidade Johns Hopkins registra neste domingo um total de 16.076.713 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, em todo o mundo. A covid-19 já matou 645.192 pessoas.

Os países latino-americanos galgam cada vez mais o topo do ranking de mortes pela doença. Já na segunda-feira, dia 20, o México aparecia no 4º lugar, atrás apenas de Estados Unidos, Brasil e Reino Unido.

Com 42.645 mortes, o México está cada vez mais perto do Reino Unido, que registra 45.823 mortes, número que se mantém quase estável. O Peru, por sua vez, subiu do 10º para o 9º lugar.

A Índia, segundo país mais populoso do mundo (1.361.865.555 habitantes), também sobe no ranking. Agora, está em 6º lugar).

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