Ranking se inverte: Europa no topo da covid. Mas dá pra relaxar?

Enquanto houver cenas assim, será que dá pra dizer que o pesadelo acabou? Foto Agência Télam

Situação do Brasil, Paraguai e Argentina está mais controlada. Podemos sambar na avenida e cair na folia?

O mundo enfrenta o que a Organização Mundial da Saúde já classifica como a quarta onda da pandemia de covid-19.

Na semana até quarta-feira, 24, houve mais 11% de novos casos no mundo e mais 2% de mortes. De 207 países e territórios que têm os casos de covid acompanhados pelo site Worldometer, 82 viram aumentar – às vezes até 200% – o número de mortes na última semana.

Países que já aparentemente já haviam vencido a pandemia, como a França, já veem os casos subirem 75%, em uma semana, e as mortes, 56%.

Na Alemanha, crescimento de casos foi de 28%, esta semana, e o de óbitos foi de 20%.

Na Suíça, mais 34% de casos e mais 15% de mortes.

Dois países já registram (ou voltam a registrar) mais de mil mortes por dia, Rússia e Estados Unidos.

Na lista dos países com mais mortes, em números absolutos, estão, além dos dois acima, a Ucrânia, a Índia, a Polônia, o México, a Alemanha, as Filipinas, o Brasil e a Turquia.

Em mortes proporcionais – isto é, por milhão de habitantes -, países do Leste Europeu passaram à ponta. Em 1º, a Georgia, depois Croácia, Hungria e Letônia, com mais de 100 óbitos por milhão de habitantes.

Entre 50 e 100 mortes por milhão, estão a Rússia, a Grécia, a Polônia, a Romênia, a Ucrânia e a Rússia.

Dos países mais importantes da América Latina, o México é o único na lista dos 50 que mais mortes têm por mil habitantes. Ainda assim, o número é relativamente baixo, na comparação – 12.

BRASIL E VIZINHOS

Situação do Brasil: melhor que na Europa, mas perde pra Argentina e Paraguai. Foto Fernando Frazão/Ag Brasil

Com 7 casos por milhão de habitantes, o Brasil está junto com a Itália, o Peru e a Dinamarca. E melhor que o Reino Unido (14), Estados Unidos (22) e Alemanha (19).

Entre os países vizinhos, a Argentina empata com o Paraguai, com 3 mortes por milhão de habitantes.

Em 9º lugar em mortes na semana até quarta-feira, na comparação com os sete dias anteriores, o Brasil aparece na lista como um dos países com estabilidade nos casos (- 0,8%) e com queda de 17% nos óbitos. Foram 1.818 mortes, uma média de 260 por dia, e 65.756 casos, ou 9.400 por dia.

Desde o início da pandemia, 613.339 brasileiros perderam a batalha para a doença, somando-se os 273 que morreram nas 24 horas de terça para quarta-feira, 24.

Em mortes na semana, a Argentina está com ligeiro avanço no número de casos (2%) e de 12% no de óbitos (foram 145 mortes em sete dias).

O Paraguai, por sua vez, registrou pequena queda de 1% na última semana, em casos, e aumento de 47% nas mortes (de 15 para 20).

Brasil, Argentina e Paraguai passam pela terceira onda da pandemia, enquanto os países da Europa, os Estados Unidos e outros já enfrentam uma quarta onda, que provoca mais temores e novas medidas de contenção, o que inclui lockdowns.

SITUAÇÃO DO PARANÁ

O quadro traz os dados até quarta-feira, 24 (fonte: Ag. Brasil)

Dentro desta terceira onda, a posição do Paraná no ranking brasileiro não se alterou: permanece em 3º em casos e em 4º em mortes.

Estes são os primeiros do ranking, por número de mortes acumuladas: São Paulo (153.639), Rio de Janeiro (68.919), Minas Gerais (56.084), Paraná (40.759) e Rio Grande do Sul (36.007).

Nas últimas 24 horas até quarta-feira, o Paraná registrou mais 7 mortes e 189 novos casos.

A média móvel estava em 8 óbitos por dia, uma queda de 45% em comparação com duas semanas atrás.

Já a média móvel de casos novos por dia ficou em 253, redução de 60,3% em relação há 14 dias.

O Estado tem 976 pacientes internados com com covid-19 ou suspeita de ter a doença, dos quais 573 estão em UTI.

A maior taxa de ocuação de leitos de UTI é registrada no Noroeste do Estado (23%). Nas demais regiões, varia entre 15% (Oeste) e 20% (Leste).

No Oeste do Estado, não há nenhuma criança ocupando UTI ou enfermaria pediátrica com suspeita de covid-19.

PARAGUAI CHEGA À TERCEIRA ONDA

O médico Arturo Portillo, diretor da 10ª Região Sanitária de Alto Paraná, departamento cuja capital é Ciudad del Este, lamentou o aumento de casos e mortes. Ele disse, em entrevista à rádio Monumental, que a região já tinha chegado a zero infectados em UTIs de hospitais.

Antes, disse ele, havia mais casos de pacientes que, da enfermaria, às vezes passavam para a UTI. “Agora, todos que chegam vão direto à UTI”, observou.

O último informe que ele recebeu – contou à rádio -, na tarde de quarta-feira, era que, de 20 pacientes internados na UTI, 17 não tinham sido vacinados. Entre os vacinados, os que estão em terapia intensiva são pessoas de idade avançada ou com uma doença de base também em estágio avançado.

Entre os não vacinados, “temos jovens de 24, 27 anos em estado grave”, disse o diretor. Inclusive, no sábado passado, morreu uma adolescente de 16 anos, grávida de 27 semanas.

“Não nos cabe falar em uma terceira onda”, disse ainda o médico, “mas sim podemos falar de um incremento de casos de covid. Nesta última semana, em que eu assumi, se incrementou muito”, afirmou.

A campanha de vacinação em Alto Paraná, uma das soluções para controlar a pandemia, já atingiu 100% de moradores vacinados, em algumas localidades. Mas há outros em que só se chegou a 45%, sobretudo na área rural.

NA ARGENTINA

Mesmo em situação relativamente confortável, a Argentina continua registrando um número expressivo de mortes diárias. Na quarta-feira, houve mais 43 óbitos e 2.234 confirmações de casos novos.

Desde o início da pandemia, morreram 116.458 argentinos e 5.319.867 foram contaminados pelo vírus.

O país tem 594 pacientes internados em leitos de covid-19. Eles ocupam 35,7% dos leitos de UTI em todo o país e 40,2% na área metropolitana de Buenos Aires.

VACINAÇÃO, COMO ESTÁ

Argentina e Brasil já vacinaram, com as duas doses, mais de 60% de suas populações. O Paraguai, apenas 35,4%, segundo o site Our World in Data. Abaixo, inclusive, da média mundial, de 42,3%.

Itália (72,8%), França (69,2%) e Alemanha (67,6%) estão na frente, mas os três países enfrentam dificuldades para avançar ainda mais, devido ao negacionismo, e já estão tendo que apelar para medidas mais drásticas de convencimento da população não vacinada.

POSSÍVEL CONCLUSÃO

A Europa e os Estados Unidos estão chegando ao inverno já com registro de crescimento em casos e mortes por covid-19, na quarta onda da pandemia.

O Brasil, o Paraguai e a Argentina estão chegando à temporada de verão. A tendência, no inverno, é ocorrer uma contaminação maior, com exigência de mais cuidados.

No verão, ao contrário, as pessoas procuram sair mais ao ar livre. Mas… aí que vai entrar a polêmica: dá pra liberar tudo, inclusive o carnaval?

Talvez deve permanecer a adoção de medidas de prevenção, como o uso de máscaras, enquanto a vacinação vai avançando até chegar aos 100% da população inteiramente imunizada. O que pode acontecer antes do carnaval…

Fontes: Worldometer, Our World In Data, Agência Brasil, AEN, Agência Télam e jornal Última Hora

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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