“Vozes Mulheres da Améfrica Ladina” reúne intelectualidade feminina negra de 4 países

Mãe Edna do Ilê Baru e dona Rose, do Quilombo Apepu, no primeiro lançamento de “Vozes Mulheres da Améfrica Ladina”. - Foto: Divulgação
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A publicação surge do trabalho de dez anos de pesquisa e extensão da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Dar mais visibilidade à produção da intelectualidade feminina negra. Esse é o objetivo do livro “Vozes Mulheres da Améfrica Ladina – Movimentos de Aquilombamento”. A obra reúne 43 mulheres negras de diversas origens e trajetórias da Argentina, Brasil, Colômbia e Paraguai.

Lançada pela Editora Dandara, a publicação surge do trabalho de dez anos de pesquisa e extensão com mulheres negras do Núcleo de Estudos Afro-Latino-Americanos (NEALA), da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

O livro teve seu circuito de lançamentos iniciado em maio. A primeira apresentação à comunidade aconteceu no ilê da Mãe Roberta, sucessora da sacerdotisa Mãe Marina. E o segundo evento de lançamento foi no Ilê Baru da Mãe Edna – ambos terreiros enraizados em Foz do Iguaçu. Nesta semana, foi a vez de lançá-lo em São Paulo (SP).

“Vozes Mulheres da Améfrica Ladina” reúne mulheres de diferentes áreas: ialorixás, quilombolas, cantoras, professoras, estudantes, instrumentistas, dançarinas, acadêmicas, políticas, trabalhadoras das terras e das águas, poetisas, educadoras, contadoras de histórias, escritoras…

“São intelectuais que trazem seus conhecimentos por meio das inúmeras formas de escritas. E que compartilham seus conhecimentos como forma de existir e resistir. Que abrem caminhos para que possamos seguir”, descreve o livro, que tem organização das professoras Angela Maria de Souza, Júlia Batista Alves e Flávia Regina Dorneles Ramos.

“As escritas foram construídas de forma coletiva e dialogada, e nesses artigos as trajetórias de vida se encontram, cruzam-se, a partir dos relatos, das falas e das escritas. Por isso, as autoras são todas as que participam da elaboração da narrativa, seja ela escrita ou oral”, descreve apresentação do título.

A obra tem diferentes inspirações e conceitos, como a escrevivência, de Conceição Evaristo; Améfrica Ladina, de Lélia Gonzalez; Mulheres Negras em Movimento, de Sueli Carneiro; e Aquilombamento, de Beatriz Nascimento.


“São trajetórias intelectuais que resistem, apesar das adversidades. E como nos ensinam Conceição Evaristo, Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Beatriz Nascimento e todas as mulheres que participaram da tessitura desta obra, as escrevivências, as amefricanidades, os aquilombamentos precisam ser pensados para além da resistência.

É preciso movimento – mulheres em movimento. É preciso evidenciar não só as práticas de resistência, mas as práticas de insurgências nossas de cada dia, que nos possibilitam (re)existir e provocar mudanças, como o alçar de vozes, o registro e a visibilização de memórias, histórias, ações e lutas que apresentamos por meio das negras palavras tecidas ao longo das páginas desta obra.”


(Descrição pela Editora Dandara)

Sobre as organizadoras:

Angela Maria de Souza, brasileira, professora no curso de Antropologia e PPG-IELA – Unila. Coordena o NEALA (Núcleo de Estudos Afro-Latino-Americanos). Atua e coordena projetos de extensão na área de educação das relações étnico-raciais com professores da rede pública de ensino para a implementação da Lei 10.639/03 e Lei 11.645/08.

Júlia Batista Alves, brasileira, professora de Letras (Espanhol/Português) – Unila, vice-coordenadora no curso de Licenciatura em Letras Espanhol e Português como Língua Estrangeira (LEPLE), membro do Núcleo de Estudos Afro-Latino-Americanos (NEALA).

Flávia Regina Dorneles Ramos, brasileira, antes de ser professora universitária de Letras (Português/Espanhol – UFRJ), tradutora e mãe de Lucía e Santiago, foi criança feliz brincando nas ruas inclinadas do Morro da Formiga no Rio de Janeiro. Neta de Regina Soares: cafuza, lavadeira, musicista, babá e doméstica na Casa Grande. Filha de Gilberto Ramos: preto, operário de fábrica, sambista e compositor. E de Teresinha Dorneles: preta, dona de casa, revolucionária, insurgente, também do samba.

Ficha técnica
Organizadoras: Angela Maria de Souza, Júlia Batista Alves, Flávia Regina Dorneles Ramos
Edição: 1ª Editora Dandara
Páginas: 290
Formato: 14 x 21
Ano de publicação: 2022
Encadernação: Brochura
ISBN: 978-65-88586-15-0

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Alexandre Palmar - H2FOZ

Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo do autor.

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