Brasil e Colômbia vão ajudar o Paraguai a encontrar sequestrados pela guerrilha

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O tenente-coronel Luis Apesteguía, porta-voz da Força de Tarefa Conjunta (FTC), confirmou ao jornal Última Hora que um avião da presidência do Paraguai viajou na quinta-feira, 10, à Colômibia e ao Brasil para pedir ajuda na busca das vítimas do Exército do Povo Paraguaio, o ex-senador e ex-vice-presidente Óscar Denis e seu motorista, o indígena Adelio Mendoza.

Os dois foram sequestrados na quarta-feira, 9, na cidade de Bella Vista Norte, departamento de Amambay. O grupo deixou panfletos indentificando-se como a Brigada Indígena do EPP.

Aesteguía não deu detalhes de em quais áreas o Paraguai terá apoio de brasileiros e colombianos, para evitar que o grupo criminoso use essas informações.

O ministro do Interior, Euclides Acevedo, disse à imprensa que a cooperação internacional será conduzida pela Força de Tarefa Conjunta.

Acevedo contou que o presidente Mario Abdo Benítez conversou com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que afirmou disposição de cooperar, já que a luta é regional.

Já chegaram

O jornal ABC Color informou que o avião com especialistas colombianos chegou a Assunção na manhã desta quinta-feira, 11. A Colômbia tem grande experiência no combate a organizações guerrilheiras, como as FARC, e em solucionar casos de sequestro.

Na manhã de quinta, 10, o presidente paraguaio foi até a estância Tranquerita, da família Denis, em um helicóptero da Polícia Nacional, para se reunir com os familiares dos sequestrados.

No local, Abdo foi recebido por um grande número de  indígenas das comunidades Paĩ Tavyterã e Ita Jeguaka. Eles disseram à imprensa que pediriam ajuda ao presidente para resgatar Adelio Mendoza, membro da comunidade.

Adelio Mendoza Benítez, de 21 años, nasceu na comunidade Ita Jeguaka, mas reside atualmente na comunidade Ita Guasu do povo Paĩ Tavyterã, onde tem sua família.

Maconha perto do acampamento

Próximo ao local onde o EPP mantinha um acampamento, a 30 km do local do sequestro, a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai encontrou uma grande quantidade de maconha, picada e processada.

“O fato de que o EPP estava nas proximidades faz supor que, no mínimo, protegiam o cultivo ou eram os próprios operadores”, comentou o secretário Arnaldo Giuzzio, segundo o La Nación.

Giuzzio reconheceu que não é fácil conseguir informação sobre os guerrilheiros e sua ligação com o tráfico, porque são dados cercados de muito sigilo e com informação de inteligência.

O que quer o EPP

Os guerrilheiros do Exército do Povo Paraguaio não querem reforma agrária, mas uma mudança radical na estrutura de divisão das terras. Querem a tomada do poder e a abolição da elite política. O EPP não é um movimento campesino, que no Paraguai é grande, muito articulado e funciona “dentro das normas básicas de não sequestrar e não matar”.

Esta é, em resumo, a posição da pesquisadora Magdalena López, do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina, que é também coordenadora do grupo de estudos sociais no Paraguai do Instituto de Estudos da América Latina e Caribe da Universidade de Buenos Aires.

Em entrevista à agência Télam, Magdalena disse que o EPP “é considerado como uma organização quase terrorista”, que “atua de maneira horrorosa e criminosa”, com sequestros e assassinatos de fazendeiros e outras pessoas, muitas delas menonitas que tabalham e têm terras nos departamentos de Amambay e Concepción.

Menonitas são integrantes de uma seita protestante que se caracteriza  pela não resistência e pacifismo. Eles são contra o batismo de crianças, como prega a igreja cristã tradicional, e por isso foram muito perseguidos na Europa. Milhares deles emigraram para os Estados Unidos e Canadá.

Os menonitas paraguaios vieram, inicialmente, do Canadá. E encontraram benesses que nenhum outro país oferece, desde a liberação do serviço militar até autonomia administrativa e liberdade religiosa, além de o país franquear a livre entrada de outros menonitas.

Como esses privilégios nunca serão tirados, isso permitirá que o Paraguai se torne um centro permanente de imigração para os menonitas, um virtual “Estado” menonita, como se lê na Wikipedia.

Milhares e milhares de menonitas vieram para o Paraguai, onde em suas colônias desenvolveram um sistema educacional exemplar, um sistema modelar de agricultura e alcançaram um desenvolvimento social excelente, mas não repassaram conhecimentos para beneficiar com prosperidade a massa da população paraguaia, talvez pela tendência isolacionista dos próprios menonitas.     

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