“Milagre” paraguaio: diminui desemprego no segundo trimestre. Veja a mágica

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego no Paraguai era de 7,6%, de acordo com a Diretoria de Estatística, Pesquisas e Censos (DGEEC). No segundo trimestre, em plena pandemia, a taxa baixou para 7,6%.

O desemprego afetava 285.904 pessoas, número que diminuiu para 256.882, inferior até ao de pessoas que procuravam emprego em dezembro de 2019 (264.683 pessoas).

Milagre paraguaio? Claro que não. O DGEEC criou uma nova categoria, a de “inativos circunstanciais”, para nominar 217 mil pessoas que perderam o trabalho durante as restrições sanitárias.

Esses desempregados não estavam procurando uma nova ocupação porque o mercado estava “inativo”. Assim, passou-se a uma nova categoria e o governo jogou o problema pra baixo do tapete.

Aumento de 5% na taxa

Segundo o jornal Hoy, o economista Carlos Fernández Valdovinos, ex-presidente do Banco Central do Paraguai, considerou uma “surpresa desnecessária” a criação da nova categoria para não aumentar a de desempregados.

“Claramente há um problema de comunicação. Não podem criar uma nova categoria sem ter avisado ninguém. A gente começa a suspeitar de por que fizeram isso. Realmente surpreende”, disse Valdovinos em entrevista à rádio Universo e ao canal GEN.

No cálculo bem simples que ele fez, somando os desempregados com os “inativos”, há quase 20% de paraguaios “que têm problemas com o mercado de trabalho”, ou 5% a mais do que havia antes, que era ao redor de 14% de empregados e desempregados.

Artifício é contrassenso

O jornal ABC Color ouviu o economista César Barreto, ex-ministro da Fazenda do Paraguai, que também criticou o resultado apresentado pelo governo, diferente de tudo o que acontece na América Latina, onde a crise atingiu em cheio o mercado de trabalho.

“Me parece que considerar inativo quem não pôde procurar emprego por causa da quarentena não é algo razoável. Economicamente, o correto seria incluir as pessoas que perderam seus postos de trabalho como desempregados”, disse Barreto.

Para ele, aos olhos de observadores externos é como buscar artifícios para não refletir um aumento muito drástico na taxa de desemprego, o que é um contrassenso, “já que estamos no meio da pior recessão do século”.

“É preciso ter cuidado e rigor com as estatísticas do país, porque são um bem público, cuja credibilidade tem que ser mantida, ainda mais em momentos tão críticos como este”, alertou o economista.

Recorde histórico

O ABC Color lembra que a Organização Internacional do Trabalho registrou que a região da América Latina e Caribe tem um recorde histórico de 41 milhões de desempregados devido à covid-19.

É a maior cifra desde que há registro sobre o mercado de trabalho. Os países mais afetados são México e Colômbia (ambos com 21% de desempregados), Brasil (12,9%) e Chile (11,2%).

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