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Por: Denise Paro

Banalização do diagnóstico leva ao maior consumo de remédios; em VÍDEO

Banalização do diagnóstico leva ao maior consumo de remédios; em VÍDEO
Falhas no sistema de diagnóstico podem levar as pessoas a acreditarem que estão doentes

Denise Paro - Especial para o H2FOZ
Vídeos: Marcos Labanca


O Brasil é o terceiro maior consumidor de medicamentos ansiolíticos benzodiazepínicos, tais como Rivotril, Diazepan, entre outros.

Médico psiquiatra e autor do livro Psiquiatria Sem Alma, José Elias Aiex Neto avalia que atualmente há um consumo exagerado de qualquer tipo de medicamento. Nos Estados Unidos, por exemplo, é frequente o número de mortes causadas por overdose de opiácio, substância usada para conter a dor. “O que existe, na verdade, é uma fuga da realidade. Buscam-se emoções e sensações que fogem à realidade, normalidade.”

Uma das formas de reverter o quadro é por meio da terapia e psicoterapia, um caminho para elaborar conflitos e tentar encontrar soluções para o problema. No entanto, explica o psiquiatra, o resultado é em longo prazo, o que leva as pessoas a buscar os medicamentos. “Se não estou dormindo porque minha conta bancária está negativa, eu tomo uma pílula.” 

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A banalização do diagnóstico é outro fator que leva ao maior consumo de remédios. Aiex cita a obra Voltando ao Normal, na qual o autor Allen Frances, que comandou o Departamento de Psiquiatria da Universidade de Medicina de Duke, nos Estados Unidos, aponta falhas no sistema de diagnóstico levando as pessoas a acreditarem que estão doentes e favorecendo a indústria farmacêutica.  

Também faz severas críticas ao DSM-5 – Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais. O DSM aponta a existência de 500 patologias que são contornadas com seis classes de medicamentos na psiquiatria (antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos, estabilizadores de humor, indutores do sono e antiparkinsonianos – atua sobre o efeito colateral).

Diagnóstico x falsas epidemias 

O médico norte-americano Allen Frances ainda aponta, na obra, a existência de novas falsas epidemias de transtornos em crianças – autismo, déficit de atenção, hiperatividade e bipolaridade. Em razão de tais diagnósticos, as pessoas se tornam dependentes de antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos e remédios para dormir.  O uso da droga também é frequente entre estudantes e concurseiros, que buscam melhor concentração e rendimento nos estudos. Mas a adoção indiscriminada do medicamento é prejudicial à saúde.  

A Ritalina é um estimulante do sistema nervoso central, cujo consumo passou a ser indiscriminado. No Brasil, o aumento foi de 775% entre 2003 e 2012, segundo estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). 
O Brasil é o terceiro maior consumidor de medicamentos ansiolíticos benzodiazepínicos, tais como Rivotril, Diazepan, entre outros. Os Estados Unidos e Índia ocupam o primeiro e o segundo lugar nesse ranking. Os dados estão no relatório Uso de Medicamentos e Medicalização da Vida, publicado neste ano pelo Ministério da Saúde.  
 

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