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Por: Cláudio Dalla Benetta - H2FOZ

Espetáculo sem público: vertedouro de Itaipu vai ficar aberto mais de 24 horas

Espetáculo sem público: vertedouro de Itaipu vai ficar aberto mais de 24 horas
Esta foto foi feita em local de acesso permitido só à área técnica da usina, cumprindo todas as medidas de segurança. (Foto: Rubens Fraulini)

Depois de quase um ano, uma cena rara é registrada na usina de Itaipu. A hidrelétrica começou a verter, desde a 0h30 deste sábado (23), e deve permanecer assim até domingo (24), de forma ininterrupta.

É também a primeira vez que o vertedouro fica aberto num fim de semana com as atividades suspensas do turismo, que deve reabrir gradativamente a partir do dia 10 de junho, aniversário de emancipação política de Foz do Iguaçu. Itaipu será cenário nesta data de uma live solidária.  

O último grande vertimento durou de 4 de junho até 10 de junho 2019. Na ocasião, a medida foi para regular o nível do reservatório e a segurança da barragem.

Naquele mesmo mês, ocorreu novo vertimento, no dia 19, por cerca de três horas e meia. Neste domingo, a abertura do vertedouro deve repetir a mesma programação, seguindo orientações do Operador Nacional do Sistema (ONS), de otimizar água e energia.

Por volta das 11h deste sábado, o reservatório estava operando na cota 218,7 metros acima do nível do mar. Já a jusante (abaixo da usina), a água chega ao nível 99,5 metros. Esse volume, no entanto, pode oscilar em torno de 2 metros durante o dia.
 

As águas de Itaipu vão aumentar em até dois metros o Paranazão, abaixo da usina. Foto Rubens Fraulini

Exceção

Embora a do vertedouro aberto seja linda, ela normalmente só ocorre com excesso de água. Mas esta é uma exceção: a abertura acontece para ajudar os países vizinhos, e só é possível em função da baixa demanda de energia no momento.

Abaixo de Itaipu, o nível do rio estava muito baixo, o que inviabilizava a navegabilidade das barcaças que levam a safra de grãos da Argentina e Paraguai para os portos de Buenos Aires e Montevidéu, rumo aos mercados internacionais.

A operação iniciou na segunda-feira (18). A chuva de sexta-feira (22) também ajudou a dar um alívio no nível do Rio Paraná. A precipitação pluviométrica foi de 80 milímetros sobre  o reservatório, um acréscimo de 1,2 mil metros cúbicos de água por segundo.

Só no Paraguai, a estiagem histórica estava prejudicando o transporte fluvial de 200 mil toneladas de soja produzidas nos departamentos de Alto Paraná e Itapúa, o equivalente a US$ 100 milhões em exportações.

Após acordo entre as chancelarias do Brasil, Paraguai e Argentina, a Itaipu iniciou a abertura intermitente do vertedouro, que estava fechado havia quase um ano.

O vertimento deve durar até o fim de maio, com a liberação (defluência média) de aproximadamente 8.500 metros cúbicos de água por segundo (considerando vazão turbinada e vertimento). A operação com o vertedouro não afeta a produção, porque a demanda no Brasil e no Paraguai caiu em função das medidas adotadas para conter a pandemia de covid-19.

Live solidária

O retorno da atividade turística é um dos desdobramentos do Programa Acelera Foz, que promoverá uma live com o artista iguaçuense Gabriel Smaniotto, no dia 10 de junho, no Mirante Central da Itaipu. A iniciativa marca a retomada do turismo de Foz do Iguaçu, que está se preparando de maneira segura para receber turistas novamente.

A reabertura do Destino Iguaçu será gradativa e faz parte das iniciativas do Acelera Foz, programa de aceleramento da economia da cidade que trará ganhos para toda a região do Oeste do Paraná e da fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

A live terá um fim filantrópico: as doações durante o show serão destinadas para profissionais do setor, como guias, camareiras e outros. Durante a live, todos os atrativos serão exibidos em vídeo no fundo do palco.

As últimas lives de Gabriel tiveram em média 65 mil visualições. Como o cantor mora em Foz do Iguaçu, não precisará fazer longos deslocamentos e todo tipo de aglomeração será evitada. “É um esforço de todos pra ajudar nossa gente no recomeço da caminhada”, diz o diretor-geral brasileiro de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna.

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