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Você não odeia as segundas-feiras, odeia o capitalismo

Você não odeia as segundas-feiras, odeia o capitalismo
(Foto: Reprodução/Pixabay)

Cláudio Siqueira 

A editora Boitempo atribui a Slavoj Žižek a frase do caput.

Segundo a Wikipédia, Slavoj Žižek é um “filósofo, sociólogo, teórico crítico e cientista social esloveno. É professor da European Graduate School e pesquisador sênior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. É também professor visitante em várias universidades estadunidenses, entre as quais estão a Universidade de Columbia, Princeton, a New School for Social Research, de Nova Iorque, e a Universidade de Michigan”. Ainda pela Wikipédia, a Boitempo Editorial “é uma editora brasileira, fundada em 1995 por Ivana Jinkings”.

O dia, que compreende o tempo do nascer do sol até o outro, é a unidade básica e universal de medida do tempo. Um dia compreende um dia e uma noite. O dia compreende manhã e tarde e a noite compreende a noite e a madrugada. Assim, de forma mais prática um dia começa na madrugada e termina na noite. O dia é daquelas coisas que todos sabemos o que é, de certa forma, mas não sabemos explicar, de certa forma.

Um grupo de dias é uma semana, que se compreende um ciclo organizado de dias que usamos como referência para nossa organização da produção de trabalho e do fluxo da vida. Um conjunto de semanas compreende o mês que é a unidade de referência e organização para a produção do campo, que envolve a produção de comida. Nesse sentido o tempo funciona primeiro organizado em função da comida. O ano é o conjunto de meses que fecha um ciclo de mudanças climáticas e de agendas estabelecidas para a produção de comida no mundo. O ano também serve para nos dar a sensação de que as coisas não seguem um ritmo infinito e desenfreado de ações e fatos. cada ano representa uma renovação de ciclo da vida e isso cria essa sensação de espiral da história, sempre as mesmas coisas mas coisas diferentes.

A semana no ocidente possui sete dias, que seria mais ou menos a ideia do ciclo da lua, desde o momento de seu não aparecimento no céu até seu aparecimento total. Mas nossas semanas não sincronizam com esse ciclo lunar. Sete é um número primo e não sabemos explicar o motivo desse número ser a base da formação da semana.

Domingo é o primeiro dia da semana no ocidente. Como as coisas funcionam em função da fé e da comida, domingo foi separado para Deus e segunda ficou como sendo o primeiro dia útil da semana. Útil no sentido de ser dedicado à produção de bens de consumo, garantindo-se antes a produção de comida. Fé e capitalismo moldam nosso pensamento e cultura.

Nos países latinos domingo de fato é o primeiro dia da semana, começamos assim descansando no ciclo. Na Alemanha o primeiro dia oficial é a segunda.

Avançando nessa divagação, o trabalho que dignifica o homem é o trabalho feito de forma livre, do ser pelo ser para o ser. O trabalho feito para outro de forma compulsório que nos submetemos para garantir o que comer não é dignificante; é opressor e humilhante.

Por isso o ser ocidental desgosta das segundas de forma cultural. É o início de um ciclo de opressão que somos submetidos por conta de uma escolha simples: comida ou morte.

A segunda-feira é a lembrança em cada início de ciclo de tempo e de vida, de que não somos livres nem iguais.

Não estamos dizendo aqui que o trabalho é amaldiçoado. Amaldiçoado é quem explora o trabalho de outrem.

O trabalho dignifica e liberta quando temos dele todo resultado de nossos esforço. Isso é possível se construirmos uma sociedade em que os humanos sejam iguais em importância e significado. Tal sociedade só pode acontecer com o desenvolvimento da razão e obrigatoriamente com a concorrência do amor, no sentido bíblico, para termos uma referência.

Eu particularmente já há um tempo dedico às segundas-feiras, pela manhã, tempo para organizar a semana, dando assim um ressignificado do dia frente à vida, enquanto não pudermos participar de uma revolução que emancipe a humanidade.

Cláudio Siqueira é estudante de Antropologia na Unila.