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Segurança Pública

Morto aos 19 anos

‘Dor e revolta’: mãe de Ismael Flores afirma que irá recorrer de decisão do TJ

Tribunal de Justiça reconheceu legítima defesa dos dois policiais acusados da morte do jovem, há três anos, no Porto Meira; família espera júri popular.

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‘Dor e revolta’: mãe de Ismael Flores afirma que irá recorrer de decisão do TJ
Clair Alves afirma que decisão é injusta diante da perda do filho, que morreu de forma inocente – foto: Marcos Labanca/H2FOZ arquivo


“Dor e revolta” é como Clair Alves, mãe de Ismael Flores, jovem assassinado por policiais há três anos, no Porto Meira, em Foz do Iguaçu, expressa seu sentimento sobre a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) que reconheceu legítima defesa dos acusados. A família irá recorrer.

Em decisão da Primeira Câmara Criminal, o órgão acolheu a argumentação da defesa e aceitou legítima defesa na atuação de dois policiais militares acusados da morte do jovem Ismael Flores. A decisão não afasta o fato de que houve homicídio, mas entende que a conduta dos agentes ocorreu em um contexto de risco iminente, durante o exercício da função.

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Nesse enquadramento jurídico, a chamada legítima defesa exclui a aplicação de pena, por considerar a reação proporcional a uma ameaça concreta, ainda que a ação tenha causado a morte de uma pessoa. Pelo entendimento dos desembargadores, a situação é caracteriza como contexto de “fogo cruzado”, em que os policiais teriam agido sob percepção de perigo.

Ismael Flores

A mãe da vítima discorda, porque a Justiça havia determinado que os policiais militares Daniel Gasparini Barcellos e Emerson José Gonçalves seriam levados a júri popular, para responder por homicídio qualificado pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme sustentou o Ministério Público do Paraná. O jovem foi atingido pelas costas e não possuía antecedentes criminais.

“Eu sempre acreditei na Justiça, confiei nas instituições e esperei que a verdade prevalecesse. Hoje, vejo com dor e revolta essa decisão, da qual vamos recorrer”, afirmou Clair Alves ao H2FOZ. “Meu filho morreu inocente, e a decisão que saiu ontem é uma afronta à verdade e à dignidade humana. Não posso aceitar nem vou me calar diante de tamanha injustiça.”

Os policiais haviam sido pronunciados, etapa em que a Justiça entende haver indícios para levar o caso a júri popular. No entanto, a defesa apresentou recurso, obtendo êxito ao ver reconhecida a legítima defesa. Portanto, não houve suspensão de júri, já que a sessão sequer havia sido designada. A decisão é passível de novos recursos. A defesa dos policiais militares, pela imprensa, argumentou que decisão do TJPR assegura a justiça a eles.

Morto a metros de casa

Com 19 anos, Ismael Flores foi morto em 27 de abril de 2023, quando voltava da casa da mãe para a sua residência, com seis disparos, após cruzar com os policiais, que perseguiam dois suspeitos de um assalto, na região do Porto Meira. Para a mãe, além de fazer justiça, a responsabilização dos agentes de segurança significa contribuir para que o caso não se repita.

Na época, imagens de câmeras de segurança rapidamente foram veiculadas pela imprensa e redes sociais digitais, apontando que Ismael Flores nada tinha a ver com a operação da Polícia Militar do Paraná na região nem estava armado. Ele faleceu a poucos metros de sua casa.

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Em depoimentos, os acusados afirmaram que, no momento da operação — a qual resultou em uma segunda morte, de uma pessoa que era perseguida pelos policiais —, a visibilidade na rua estava baixa. Já o MPPR sustentou que as ações de Ismael não representaram ameaça que justificasse os tiros e que os elementos reunidos afastam tese de legítima defesa.

Familiares e amigos fizeram manifestações públicas pedindo justiça, em frente ao 14.º Batalhão de Polícia Militar e no shopping onde o jovem trabalhava. Os policiais responderam ao processo em liberdade.

Saiba mais sobre o caso:

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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