Transporte coletivo: extinção do contrato deixa rodoviários em estado de alerta

Paralisação dos motoristas de ônibus em novembro deste ano - Foto: Marcos Labanca
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Categoria vai avaliar em assembleia efeitos da medida da prefeitura que decreta o fim do contrato entre o município e o Consórcio Sorriso.

Demissões, atraso de salários, ausência de acordo coletivo para assegurar reposição às remunerações e julgamento de dissídio pendente são alguns dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do transporte coletivo em Foz do Iguaçu. Agora é a medida da prefeitura que põe fim ao contrato com o Consórcio Sorriso que deixa os rodoviários em estado de alerta.

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Qual será o efeito dessa decisão para a categoria, já que sua pauta laboral está amalgamada com as resoluções que podem definir novos rumos para o transporte público operado no município? A direção sindical estabelece o compasso da cautela, projetando avaliar coletivamente o atual cenário no começo do ano que está iniciando.

Para os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sitro-FI), é possível que as empresas de ônibus busquem na Justiça uma medida para suspender os efeitos do decreto da caducidade do contrato em vigor. Caso não consigam, é igualmente factível que passem a enviar comunicados aos rodoviários.

“Não devemos nos apavorar. Vamos acompanhar a situação e, no começo de janeiro, convocar uma assembleia, em uma situação bem tranquila, sem acirramento, para discutir qual é o nosso melhor destino”, afirma o presidente do Sitro-FI, Dilto Vitorassi. “Vamos ter 45 dias muito tenebrosos pela frente”, adverte o sindicalista.

Para ele, outra preocupação é quanto à pendência de julgamento do dissídio trabalhista que tramita no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A decisão do órgão tem a ver com o pagamento de auxílio-alimentação e a diferença salarial – cerca de R$ 300 – resultado da remuneração pelas firmas e o pleiteado pela categoria.

“Vamos ter de fazer de tudo para que o TRT julgue o nosso dissídio, pois é ele que vai dar o amparo para recebermos todas as cestas básicas que não pagaram e a cesta básica plus de quem dirigiu e cobrou”, elenca Vitorassi. “É o dissídio que irá nos amparar quanto à reposição para completar o salário, que deve ser de R$ 2.982, e não pouco mais de R$ 2,6 mil. O Tribunal tem que julgar”, ressalta.

De abril a julho deste ano, os rodoviários iguaçuenses realizaram a maior greve da história da categoria, que durou 78 dias. A paralisação cobrava pagamento de salários em dia, cestas básicas e reposição salarial, e denunciava demissões. As perdas, segundo estimativas do sindicato, giram em torno de 30% das remunerações.

O longo movimento não foi suficiente para evitar nova paralisação no mês passado, em novembro, devido a atrasos no pagamento dos salários e demora no julgamento do dissídio entre patrões e trabalhadores. A greve foi suspensa com a mediação do desembargador Célio Horst Waldraff, da Justiça do Trabalho.

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Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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