A reprodução da pobreza e multiplicação de fortunas

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O fosso financeiro que separa ricos e pobres aumentou durante a pandemia de covid-19, mostra um relatório global que acaba de ser publicado. O levantamento elenca que os 10% mais afortunados da população ficam com 75% da riqueza mundial.

Enquanto essa parcela de ricos concentra 3/4 da abastança produzida em todo o planeta, metade da população mundial fica com apenas 2% da fatia do bolo. A desigualdade de renda é um problema político e moral das sociedades, mas também um empecilho para o desenvolvimento.

Os bilionários do mundo viram suas fortunas crescerem exponencialmente no ano passado, no maior aumento desde 1995, quando saiu o primeiro estudo do Laboratório de Desigualdade Mundial. O patrimônio desse seleto grupo de pessoas cresceu US$ 3,6 trilhões em 2020.

No outro extremo, excluída dessa fartura, a pandemia de covid-19 catapultou cem milhões de pessoas para a pobreza extrema, elevando esse contingente de seres humanos para 711 milhões em 2021. Essa estimativa é do Banco Mundial, citada no estudo sobre a concentração de renda no mundo.

Nas Américas, Estados Unidos e Brasil são as nações mais desiguais, mostra o diagnóstico. Com os 50% mais pobres ganhando 29 vezes menos que os 10% mais ricos, o Brasil lidera o nefasto ranking da desigualdade na América Latina, aponta o levantamento.

Entre os brasileiros, a renda média acumulada por um adulto foi R$ 43.600, enquanto os 10% dos mais ricos do país obtiveram 59% da renda nacional total. O relatório foi feito a partir de dados de renda familiar, considerando declarações do Imposto de Renda e outros tributos.

Não há mágica na reprodução dos pobres e na multiplicação dos ricos, reflete o estudo. A pandemia contribuiu para exacerbar a desigualdade que desde há muito tempo existe, e os motivos têm bases concretas, fruto inclusive de opções políticas.

A desregulamentação financeira, a privatização e a tributação menos progressiva são as principais causas do aumento da renda dos afortunados nos países mais ricos. Já nas sociedades emergentes, as privatizações em grande escala ajudaram a colocar mais dinheiro nas mãos dos ricos, defende o Relatório de Desigualdade Mundial, que é resultado de quatro anos de trabalho empreendido por mais de cem pesquisadores no mundo.

Se pobreza deve ser entendida pela sociedade como algo imoral, devido aos meios existentes para erradicá-la, tamanha concentração de riqueza nas mãos de poucos deve ser uma condição execrável. Tão importante quanto repelir a desigualdade é cobrar políticas públicas dos ocupantes dos governos contra esse abismo que separa ricos e pobres.

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H2FOZ – Editorial

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