Passageiro, mais uma vez, paga a conta do caótico transporte coletivo

Por Alexandre Palmar

Três comissões no âmbito da gestão pública discutem o grave problema do transporte coletivo em Foz do Iguaçu. Conversa vai, conversa vem, mas a resolução nunca aparece. A cidade viveu mais uma semana de caos, com nova greve dos trabalhadores rodoviários, que cruzaram os braços para cobrar, entre outras pautas, o mínimo, que é o salário em dia.

Fora dos gabinetes refrigerados, onde se arrastam as decisões – ou as indecisões – sobre o sistema de transporte público, sem ônibus, o morador iguaçuense foi obrigado novamente a pagar a conta. Além dos transtornos pela falta de lotação, passageiros não tiveram outra saída senão utilizar transporte por aplicativo para chegar ao trabalho, tirando o valor do próprio bolso.

Uma das comissões sobre o transporte coletivo em Foz do Iguaçu, de natureza mais interna da prefeitura, carece de apresentar resultados. A que funciona na Câmara de Vereadores nivela o tom e vai a reboque do ritmo do debate na terceira comissão, a qual reúne representantes da administração municipal, do Consórcio Sorriso e do sindicato dos trabalhadores.

Esse grupo mais amplo chegou a anunciar, no começo de setembro, uma minuta que previa o “encerramento antecipado do contrato” entre a prefeitura e as empresas de ônibus, mudando a narrativa de rompimento contratual para encerramento antecipado. Na ocasião, esse fato foi apresentado como indicador de “um prazo final de negociação”. Mas, mais de dois meses depois, de concreto, nada aconteceu.

A Justiça do Trabalho julgará a contenta laboral entre rodoviários, que acusam perdas do poder salarial de 40%, e as empresas, as quais alegam não ter fluxo de caixa para manter as obrigações. Os trabalhadores dizem que, em novo atraso de pagamento, retomarão a greve. Duas das três empresas anteciparam que, nas condições atuais, não terão como pagar o 13º salário.

O que fará a prefeitura, a concedente do transporte coletivo às empresas, por contrato de 2010, e responsável por garantir esse serviço essencial à população? Certo é não ser mais admissível a perpetuação desse problema, que faz a população sofrer com um serviço de má qualidade e pelo qual paga caro.

O município deveria demonstrar à sociedade as ações efetivas adotadas até aqui. Quantas e quais foram as ações judiciais já tomadas pelos agentes públicos para cobrar dos responsáveis a alegada quebra de contrato, especialmente quanto à redução da frota de ônibus?

As empresas cumpriam as contrapartidas aos benefícios recebidos recentemente, como a isenção de impostos para a instalação de ar-condicionado em ônibus e compra adiantada de vale-transporte?

Porém a principal pergunta é: quando o iguaçuense poderá contar com um transporte público de qualidade e eficiente?

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Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo do autor.

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