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O poder

Por José Afonso de Oliveira

Seria muito bom se pudéssemos viver em sociedade, sem o poder. Isso pensavam os anarquistas, mas nunca conseguiram colocar em prática, e sabemos perfeitamente tratar-se de algo impossível.

Hobbes já nos informava de que o homem é lobo do homem, e o poder é importante para podermos viver em sociedade, pois sem ele teríamos uma sociedade violenta, na qual o mais forte eliminaria o mais fraco para todo o sempre.

Mas o homem é livre e assim deve permanecer. Porém se pensarmos na liberdade como um fim, em si mesmo, teremos de habitar as florestas, onde realmente poderemos fazer tudo aquilo que desejarmos sem dar satisfação a ninguém.

Evidentemente que vivendo em sociedade temos necessidade de estabelecer um contrato social que, no pensamento de Rousseau, significa que eu cedo parte de minha liberdade a alguém para que este me proteja contra a violência generalizada. Está nascendo aqui o conceito de liberdade na sociedade que sempre tem um determinado limite, que é exatamente a liberdade dos outros.

Maquiavel vai mostrar, com a devida clareza, que o poder corrompe – e muito poder corrompe mais ainda, necessitando que esse poder possa ser devidamente controlado pela sociedade para que possa atingir os seus objetivos.

Estamos vivendo às vésperas de uma grande e importantíssima eleição no Brasil, em que só não elegeremos prefeitos e vereadores. Na verdade, são várias eleições que se realizam no mesmo dia, na mesma hora, dando a ideia bastante equivocada de que se trata de apenas uma eleição. Assim elegeremos os membros do Poder Executivo, em nível federal e estadual; também os nossos representantes na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas estaduais; e finalmente os representantes dos estados federados no Senado Federal. Fica claro que, além de mais do que uma eleição, as funções são também bem diferentes.

No momento atual, ante a grave crise política que estamos vivendo, refletindo nas nossas dificuldades econômicas e sociais, necessitamos pensar para termos uma decisão pessoal com muita tranquilidade. Sobre o que vamos fazer é muito importante saber que as consequências, para o bem ou para o mal, serão nossas também.
Agora o que há de mais importante é que todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido, conforme consta na nossa Constituição. Portanto os legítimos detentores do poder somos todos nós.

José Afonso de Oliveira é professor em Foz do Iguaçu.