“Indústria da corrupção” no Paraguai explora estudantes de Medicina

A imagem é só ilustrativa, mesmo porque propina, em espanhol, significa gorgeta. Para a cobrança ilegal, há outras palavras, como Coima soborno e mordida (aliás, essa vale também para português).

Eles são obrigados a pagar propina para cada documento exigido pra receber o diploma.

Em meio aos 25 mil estudantes brasileiros que cursam Medicina em Ciudad del Este, um deles abriu o jogo e resolveu denunciar a “corrupção institucionalizada” que faz deles vítimas, em Ciudad del Este.

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O estudante enviou e-mails ao H2FOZ onde faz a denúncia. Ele explicou que, para obter o diploma, os estudantes brasileiros precisam obter uma série de documentos. Só que cada documento tem um custo “por fora”, isto é, precisam pagar propina a agentes públicos.

A cobrança varia entre 250 mil e 500 mil guaranis por documento. No final, os nove documentos exigidos vão custar para o estudante entre 4 e 5 milhões de guaranis (ou entre R$ 3.000,00 e R$ 3.700,00, aproximadamente).

A extorsão, explica ainda a fonte, acontece nos setores de Identificação e de Migração.
Pela lei paraguaia, o Ministério da Educação só entrega o diploma ao estudante estrangeiro se ele estiver de posse de toda a documentação exigida.

“Se aproveitando desta lei, funcionários públicos fazem extorsão de brasileiros. A corrupção é institucionalizada”, diz o estudante.

E completa: “Criaram uma indústria de corrupção e extorsão. Cada agente tem uma meta de arrecadação para seu padrinho político, como chefes de alto comando”.

A “pilha” de documentos exigidos para poder obter o diploma do MEC.

PARA PARAGUAIOS E PARA BRASILEIROS

O custo oficial do governo do Paraguai, para tirar identidade, é de 27 mil guaranis. Mas isso para os paraguaios. “O custo do documento é mínimo, o restante é propina. Nós, brasileiros, pagamos até 5 milhões”, denuncia.

O pior é que os estudantes não encontram apoio, já que “o consulado brasileiro (em Ciudad del Este) foi informado e nada faz”, conclui o estudante.

OUTRO LADO

Por meio de uma importante representante da sociedade de Ciudad del Este, o H2FOZ tentou ouvir a posição de autoridades dos dois setores denunciados pelo estudante nesta matéria.

Foi em vão. Não houve resposta à pergunta, que era: “Por que estudantes brasileiros pagam por um documento muito mais do que é cobrado dos paraguaios?”

Estamos abertos à divulgação do que estes setores têm a dizer sobre a denúncia.

Fonte desta matéria: email enviado por estudante de Medicina de Ciudad del Este.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.