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Por: Cláudio Dalla Benetta

Estudantes brasileiros esquentam toda a economia de Ciudad del Este

Estudantes brasileiros esquentam toda a economia de Ciudad del Este
As universidades se multiplicam, em Ciudad del Este, para atender à demanda. E a cidade lucra.

Cláudio Dalla Benetta

Eles somam entre 25 mil e 30 mil pessoas (o número exato ninguém sabe), ou mais do que a população inteira de Santa Terezinha de Itaipu. Quando estudantes brasileiros começaram a chegar à fronteira, para estudar nas universidades de Ciudad del Este e Presidente Franco, o mercado imobiliário de Foz do Iguaçu sofreu um "boom" impressionante.

A procura foi tanta que os primeiros a chegar ocuparam praticamente todos os apartamentos de um e dois quartos. Quanto maior a demanda, mais sobem os preços. Foi o que aconteceu. Agora, os estudantes já nem tentam encontrar apartamento aqui. Vão direto às cidades paraguaias.

Resultado: como aqui ninguém pensou nisso, em Ciudad del Este estão surgindo novos edifícios voltados para o aluguel a esses estudantes, principalmente próximos às universidades. Segundo o economista Daniel Pereira Mujica, o investimento em imóveis para os universitários já soma cerca de US$ 180 milhões.

Américo López, dono de um prédio localizado nas imediações de uma universidade privada, no Km 7, diz que quase todos os seus inquilinos são brasileiros, exatamente pelo custo mais baixo dos aluguéis, na comparação com Foz.

E, assim como aconteceu em Foz, inicialmente, pequenos hotéis de Ciudad del Este se transformaram em pensões, que já não cobram diárias, mas mensalmente. Carlos Jara, do sindicato de hoteleiros de Alto Paraná, confirma que a maior parte dos inquilinos - ou hóspedes - também é formada por universitários brasileiros.

Gastos

Não é só o setor imobiliário que está satisfeito com a vinda dos estudantes brasileiros. Os setores de comércio e de serviços também são beneficiados diretamente.

O economista Pereira Mujica calcula que, em média, cada universitário gasta cerca de US$ 1 mil por mês em Ciudad del Este, o que inclui aluguel, alimentação, combustível e as mensalidades das universidades.

Multiplicado pelo número de estudantes (ele considerou 25 mil), o total chega a US$ 25 milhões. Ou US$ 300 milhões no ano. Sem contar, claro, gastos extras, que não foram considerados.

É uma soma e tanto!

Mais que royalties

Só pra comparar, Foz do Iguaçu recebeu em royalties de Itaipu, em 2018, o total de R$ 76.580.733,70.

Convertido em dólares ao câmbio atual, isso representaria cerca de US$ 20 milhões, menos do que os estudantes contribuem com Ciudad del Este em um único mês.

Ou, em outra comparação, o que Ciudad del Este ganha por ano com os universitários brasileiros equivale a 15 vezes o que Foz recebe de royalties.

Fontes: La Clave e Aneel