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Claudio Dalla Benetta
Claudio Dalla Benetta
Cansado das ligações de telemarketing? Boa notícia: amanhã começa o "não me perturbe"

Cláudio Dalla Benetta

Você está vendo um filme, está numa boa leitura ou num jantar com amigos. De repente, seu celular toca e, na tela, é identificado o número de um telefone de São Paulo. Mesmo não tendo parentes por lá, você vai atender, até um pouco preocupado. No entanto, só o silêncio responde do outro lado da linha, antes de o telefone desligar.

São Paulo é só um exemplo. Ligações interurbanas, contínuas, vêm de todas as partes. De cidades de Santa Catarina, do Paraná, do Rio de Janeiro, vêm de Fortaleza e até de Santarém, no Pará. Enfim, de onde existe uma empresa de telemarketing que trabalha pra uma operadora de celular, pra uma de TV fechada, pra um banco, pro serviço que for.

O telemarketing é um sistema diabólico, porque a maioria das ligações é feita aleatoriamente por máquinas, que nem sempre conectam o operador a tempo pra falar com o possível cliente. Por isso, em segundos a ligação cai, logo depois de te perturbar.

Muita gente tem mais números bloqueados no telefone do que os da relação de amigos, parentes e serviços que de fato utiliza. Porque, por enquanto, bloquear é a única solução pra se livrar do incômodo. Mas parece que, quanto mais você bloqueia, mais ligações você recebe, de números de outras cidades. É uma verdadeira teia que te enreda na chateação.

A Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, informa que estudos de mercado estimam que ao menos um terço das ligações indesejadas no Brasil tem por objetivo a venda de serviços de telecomunicações.

Foi com base nesses dados que a Anatel exigiu das operadoras uma solução para o problema. 

"Não me perturbe"

E é por isso que, a partir desta terça-feira, dia 16, começa a funcionar o cadastro nacional para o bloqueio de ligações de telemarketing das empresas de telecomunicações. Bastará digitar os números do seu celular e do telefone fixo para não receber mais esses telefonemas.

Você terá que acessar o site https://naomeperturbe.com.br/ (se entrar no site agora, aparecerá apenas o recado "aguarde 16/07/2019". Na terça é pra valer). Ali, deverá haver um local pra você colocar os números..

Na verdade, quando o sistema estiver no ar é que a gente poderá saber quais as funcionalidades do site e que tipo de ligações indesejadas poderão ser bloqueadas quando colocarmos ali nossos telefones.

Mas, seja amanhã ou na sequência, você não receberá mais chamadas de todas as empresas signatárias do acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel): Algar, Claro, Oi, Nextel, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo.

A Anatel garante que fará um monitoramento contínuo das atividades de telemarketing das operadoras, para que a lista nacional seja respeitada de fato.

Mundo perfeito

Se você pesquisar sobre telemarketing na Wikipedia, vai constatar: o texto foi escrito por pessoas ligadas ao setor.

Ali diz que o telemarketing "tem sido utilizado eficazmente para potenciar negócios e impactar directamente o consumidor". 

Para a empresa que utiliza o telemarketing, diz a Wikipedia, há várias vantagens, como interatividade com o consumidor, flexibilidade (pra potenciar uma campanha e no momento seguinte incentivar os consumidores a ir ao ponto de venda), rapidez (a qualquer momento uma estratégia pode ser modificada) e otimização ("num só contato podem ser recolhidas muitas informações sobre um cliente e as suas necessidades e preferências".

Na verdade, pode até ajudar a empurrar algumas vendas. Mas a maioria dos clientes se irrita, e irritação não faz bem pros negócios.

Além disso, o chamado "call center", de onde partem as ligações, não é da empresa que oferece os serviços, mas sim uma terceirizada, com pessoas que às vezes não têm a menor ideia de como oferecer o que estão vendendo. Texto decorado, ruim, falta de informação e insistência são alguns defeitos, entre outros.

Ainda no texto da Wikipedia, diz que na década de 1980 o telemarketing se expandiu até para a política, e "hoje se tornou uma das mais poderosas estratégias políticas e de venda".

Será? Se o telefone tocar às 22h pedindo voto pra um político, é mais provável que, a cada ligação, um voto se perca.

Serviços pelo telefone

Uma coisa são os serviços de atendimento ao consumidor, quando você mesmo liga pra solicitar alguma coisa. Mas até esses são meio complicados e podem embutir uma venda inesperada.

Um exemplo: um iguaçuense ligou pra uma operadora de internet, queixando-se que o serviço fora interrompido. O atendente fez testes e nada conseguiu. Passou para outro técnico, que também fez os testes. Ele disse ao cliente que o sinal de internet estava vindo ao modem; como não era possível acessar nenhum site, o problema seria do equipamento ou outro não identificado.

Solução proposta: pagar R$ 19,90 por mês (durante dez meses) por um serviço especializado, que resolveria todas as questões referentes não só ao modem, mas aos aparelhos conectados. Desesperado por ficar sem internet, o cliente topou. 

Imediatamente foi passado para um terceiro técnico, que repetiu os procedimentos feitos pelos dois anteriores. Milagrosamente, a Internet voltou ao computador. O cliente sentiu-se lesado, é claro. Mas o que poderia fazer, a não ser aceitar o logro, se a internet não voltava no momento em que mais precisava dela?

Obviamente, a operadora perderá este cliente, daqui a dez meses, tempo do contrato para o tal serviço. Mas ela vai achar outros pra aplicar o golpe da internet que só funciona depois da taxa extra.

Na verdade, no Brasil não existe concorrência de fato entre as operadoras, que aplicam o preço que querem, oferecem um serviço muito ruim e ainda aplicam o que podem ser chamados golpes nos clientes. A Anatel parece fazer o que pode, mas é pouco.

Essa solução do site "não me perturbe" foge à regra. É excelente, muito melhor do que os serviços vendidos pelas operadoras.

A Europa vai salvar nossas florestas. Inclusive o Parque Nacional do Iguaçu

Cláudio Dalla Benetta

Desmatar ainda mais a Amazônia pra ampliar o agrobusiness, com mais soja e gado? Os europeus não vão aceitar. Eles vão querer que aqui haja o mesmo que tentam lá: produzir com sustentabilidade, isto é, sem prejudicar ainda mais a natureza.

O acordo entre os dois blocos comerciais, Mercosul e União Europeia, trará benefícios pra todos os países envolvidos, na área econômica. O Brasil e a Argentina, especialmente, países fechados para o mundo no que se trata de importar e exportar, vão passar, nos próximos anos, por uma verdadeira revolução.

O Professor Afonso, na página do H2Foz no Facebook (https://www.facebook.com/h2foz/), traz alguns aspectos importantes na área comercial. Ouça e conclua.

Mas é importante destacar também o aspecto ambiental, já que o atual governo tem - ou tinha - ideias de romper com o Acordo de Paris, reduzir áreas protegidas pra fomentar o agronegócio e até abrir pro turismo ilhas protegidas lá no Rio de Janeiro.

A adesão ao Acordo de Paris já foi reafirmada. Outras medidas, embora pretendidas, devem ficar em banho-maria e ser tratadas com a máxima cautela.

Foram mais de 20 anos pra se chegar a um acordo com a União Europeia. O atual governo sabe que pode ir pra história - estava no lugar certo na hora certa - pelo acordo ter sido firmado agora. E sabe que pode ir mal pra história se prejudicar, de alguma forma, o que já está sendo detalhado.

Mas voltemos ao mundinho de Foz, da fronteira, do nosso pedaço aqui no Oeste paranaense. Você acha que a Estrada do Colono será reaberta?

Aqui, fica uma aposta. Não será. Hoje, a mata onde por antes passava a estradinha está recomposta. Pra reabrir, será preciso cortar tudo o que levou anos e anos pra reflorestar, sem o homem por ali. 

A presença de tratores, o ronco de motosserras soaria grotesco, terrível, para os olhos de ambientalistas. Mas ficaria mal também para a sensibilidade dos europeus, mais atentos do que nós ao que resta de ambientes naturais ainda preservados.

Uma coisa já seria certa: mesmo sem os europeus atentos ao que acontece aqui, dificilmente a Estrada do Colono seria reaberta, na proposta que foi mais ou menos apresentada.

Seria uma rodovia com túneis pros animais passarem por baixo, teria um pequeno prédio de controle no início e outro no fim dela, haveria cercas pros animais não cruzarem, haveria controladores de velocidade e até uma torre de vigia muito alta, pra dali os guardas florestais observarem não só a estrada, mas grande extensão do parque.

Parece bacana? Esqueça a questão ambiental e pense em outra: o custo. Um país onde o governo está endividado até a alma, onde precisou aprovação do Congresso pra fazer mais dívidas pra bancar não obras, mas o custeio normal, onde os estados estão falidos, onde os municípios catam centavos... é um país que pode se dar ao luxo de gastar muitos milhões numa pequena estrada de 17 quilômetros, que também exigiria uma grande ponte?

Sem contar ainda o pessoal pra fiscalizar os motoristas, pra cuidar que os 17 km reabertos não se tornassem a sinalização para abusos de todo tipo. 

Sonho e ilusão! Se for pra investir alguns milhões numa estrada, que isso seja feito, pra ficar na região, na duplicação da Rodovia das Cataratas. E/ou na melhoria das estradas estaduais que cortam os municípios do Oeste, já que a maioria não está em boa condição de tráfego.

Pra não esquecer, claro, da duplicação da BR-277, a rodovia que liga o Oeste a Curitiba e a Paranaguá, com a maior parte formada por trechos de pistas simples, onde os acidentes fatais se multiplicam. Uma viagem que é quase uma aventura, tais os riscos. E cara, tal o custo dos pedágios.

Estrada do Colono? Quem vai pagar por isso? Ninguém sabe. Mas quem vai cobrar se o Brasil quiser mesmo fazer a obra? Isso todo mundo agora já sabe: os europeus. Eles virão dispostos a investir, a gastar dinheiro, o que também deve beneficiar o turismo. Mas não vão tolerar que aqui se faça diferente do que se faz lá.

Leia texto que já publicamos sobre a Estrada do Colono. Clique aqui

Deem adeus a esta péssima utopia!

A praça que a vereadora Inês quer pronta tem bancos, sim. Ao menos no projeto.

Cláudio Dalla Benetta

Na postagem "Por que Foz tem poucas praças e nelas não há bancos de praça", aqui no blog, havia um trecho referindo-se à luta da vereadora Inês Weizemann para ver concluída a Praça Aporã, no bairro Ipê, "em obras" desde 2017.

Já que as praças de Foz não oferecem bancos nem sombra pros iguaçuenses, pra que, então, brigar por essa praça?, era a questão levantada.

Mas a Praça Aporã tem bancos, sim. Só não tinha na imagem postada. Nessas de hoje, lá estão os bancos. Não são muitos, mas talvez suficientes.

Aliás, como explicou a assessora de Inês, jornalista Cris Loose, a praça é "multiúso, com parquinho, quadra, pergolado..." E a gente conclui: e bancos.

Fica, então, a ressalva ao texto anteriormente publicado.

Mas, como sempre, a gente fica com um pé atrás: será que a praça ficará assim como está no projeto? Ou, na hora H, os bancos somem?

Fique atenta, vereadora!

Por que Foz tem poucas praças e nelas não há bancos de praça?

Cláudio Dalla Benetta

Um dia Foz do Iguaçu ainda vai ser conhecida como a cidade sem bancos de praça. 

É uma cidade onde os moradores não têm apego a praças. Porque não são do povo, como o céu é do condor.

Não haveria aqui programas humorísticos, porque não há praça pra dizer que a praça é nossa.

Nem tem gente alegre na praça, pra chamar de praça da alegria.

Se fosse escrita hoje, em Foz, a letra da música A Praça, que Ronnie Von cantava, teria que mudar o verso "Sentei naquele banco da pracinha..." 

Porque não há bancos.

Tem outra música, possivelmente mais recente, de um grupo chamado Vetores, intitulada "No banco da praça". Os primeiros versos: "Eu estava sentado no banco da praça/ com charuto nos dedos e um amigo com as cartas..."

Aqui não se faz amizade nem se curte amigos nas praças. Porque não há bancos. E há tão poucas praças.

Nossas praças não prezam o verde, as flores. Os versos "A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim", como dizia a velha canção de Ronnie Von, aqui não fazem sentido. Que banco, que flores, que jardim?, dizemos os iguaçuenses.

Praça, em Foz, só dá mesmo é dor de cabeça. As que seriam construídas pra homenagear o centenário de Foz,  em 2014, ficaram prontas dois ou três anos depois. Sem bancos. Uma delas, com um chafariz que... bem, não vamos tripudiar sobre o coitado do chafariz.

Mas praça é mesmo sina triste, em Foz. Há poucas, muito poucas, quando em outras cidades são elas que demarcam o centro da cidade, são sempre arborizadas, frescas, com muitos bancos.

Locais de encontro, pra descansar, curtir as brincadeiras da criançada, pegar uma boa sombra em dias quentes...

Praça, em Foz, só dá dor de cabeça.

Hoje mesmo, o gabinete da vereadora Inês Weizemann divulgou nota informando que ela enviou ofício à Prefeitura pra saber porque a Praça do Aporã, no bairro Ipê, ainda não está pronta. Era pra ter sido entregue em abril, mas até agora nada.

Na verdade, a licitação para a reforma da praça saiu em 2017. Em abril de 2018, a vereadora já pedia informações sobre a obra. Em dezembro, foi assinado o documento de início das obras, pra conclusão em abril. 

A praça continua fechada com tapumes. 

Talvez seja melhor assim. Pra que fazer o iguaçuense se acostumar com a ideia de ter praças? Pra se desiludir depois, ao perceber que a praça existe, mas não tem bancos nem árvores que façam sombra?

Deixe pra lá, vereadora. Praça não combina com Foz do Iguaçu, não dá liga. Aqui ninguém se cansa, pra que ter bancos? Todo mundo curte o sol de verão, pra que árvores? E, afinal, pra concluir, pra que praças? É muita frescura!

Ah, sim, de qualquer forma, a Prefeitura respondeu ao requerimento da vereadora com um ofício no qual garante que a praça fica pronta até 30 de julho. 

(Atenção: texto tem doses de ironia explícita, mas principalmente de humor meio cretino. Perdão, leitores).

Foz do Iguaçu precisa (e muito) de zeladoria urbana

Cláudio Dalla Benetta

O jornalista Roberto de Oliveira, da Folha de S. Paulo, foi a Curitiba e constatou: "a cidade tem uma boa zeladoria ubana". 

As ruas estão sempre limpas, não se vê árvores mal podadas, as pichações se concentram em poucos locais, as construções são bem cercadas, com tapumes até ilustrados, e assim por diante.

Nos 105 anos de Foz, que tal cuidar com zelo desta cidade que os turistas amam e os moradores defendem com unhas e dentes?

A zeladoria urbana entrou na moda, no Brasil, porque não há recursos para grandes obras. Resta à Prefeitura desenvolver obras pequenas e serviços de manutenção que deixem os moradores mais satisfeitos.

Queixas pra atender não faltam. É só olhar nas redes sociais. Não pros grandes problemas, como o de avenidas que ainda precisam ser concluídas. Isto vai exigir mais tempo.

Mas para coisas como falta de bueiros, falta de tampa de bueiros, buracos nas ruas e nas calçadas (onde existem calçadas), árvores que foram podadas por um ceifador, não por um entendido no assunto, cuidar dos pontos de ônibus (isso até que vem sendo feito razoavelmente) e, em especial, evitar que o lixo se acumule nas ruas centrais, como ainda acontece.

Boa zeladora urbana a Prefeitura de Foz não é. Até hoje, por exemplo, não adquiriu (ou alugou) uma máquina trituradora de troncos, pra retirar o que fica na calçada depois que uma árvore é eliminada.

Há troncos ao longo da Avenida Brasil e da República Argentina, que atrapalham a passagem do pedestre e enfeiam ainda mais a paisagem quando o lixo está acumulado por perto.

Também precisa ser mais ágil pra eliminar o mato que se acumula na beira de ruas e em terrenos baldios, que existem até no centro da cidade.

Aliás, por que não multar mais esses infratores? E por que não criar uma lei que tribute quem mantém estoques de terrenos baldios, à espera da valorização ou por outras questões?

Mesmo pertinho do centro, tem terrenos que pagam mixaria de IPTU, mas concentram quatro ou cinco casas de madeira, para aluguel. O dono ganha com o aluguel e ainda é dispensado do IPTU ou paga muito pouquinho, porque é considerado pobre. 

Enquanto isso, é preciso ir cada vez mais longe para construir uma casa. E quem sofre mais são os pobres, que se concentram nos limites do município. Daqui a pouco, perdem identidade e vão virar moradores de Santa Terezinha de Itaipu. 

Já que não dá pra construir novas praças, não dá pra fazer parques como os que existem em Curitiba e atraem milhares de visitantes, é preciso cuidar e melhorar o que tem. Faltam bancos nas praças, pra ficar num pequeno exemplo irritante.

Andar pelo centro de Foz é dar de cara com problemas tão fáceis de resolver que até provocam estupor, como o lixo, a falta de trechos de calçadas, a ausência de arborização (pois é, ou tem árvores e não são bem cuidadas, ou não existem pra amenizar o calorão desta cidade).

Nos bairros, é muito pior. Alguém da Prefeitura poderia pegar um carro e rodar pela cidade, anotando o que vê. Depois, pegar o livrão que vai resultar disso e mostrar pro prefeito, pra que seja encontrada uma providência.

Já são 105 anos de história pra se pensar em amar um pouco mais esta cidade.

O futuro, antes e depois na visão de Hollywood. Do carro voador à catástrofe ambiental

Cláudio Dalla Benetta 

Assista a qualquer filme futurista e veja por que Hollywood mudou sua forma de pensar o futuro.

Antes, eram prédios altíssimos, carros voadores, gente vestida com roupas sintéticas, viagens ao espaço que qualquer um podia fazer.

Agora, o mundo do futuro está sempre à beira da catástrofe final. Não por guerras (embora também por elas), mas pelo que fizemos com os recursos naturais do planeta.

Vai faltar água, vai faltar comida, vai faltar energia. E vamos ter que encontrar outro planeta pra morar, como acontece no filme "Interestelar", onde a Terra não precisa mais de engenheiros e técnicos em geral (não nos faltam TVs e carros, diz um professor), mas de agricultores, pra garantir a sobrevivência, já que as culturas agrícolas estão sendo destruídas progressivamente (por enquanto, resta o milho).

Mas isso tudo parece tão futurista, não é mesmo? Tão fantasia!

E, no entanto, as mudanças já estão acontecendo. Com base nos estudos do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, a revista 'Viva a Longevidade' listou seis das mudanças mais perceptíveis.

1. Temperatura. Os quatro últimos anos foram os mais quentes da história da Terra. Estamos sentindo cada vez mais calor durante o verão e frio intenso em determinados invernos.

2. Turbulências. A movimentação das massas de ar é uma das consequências do aquecimento global. O curioso é que esse vaivém de ventos quentes e frios acabou afetando também as viagens de avião. Não chega a ser preocupante, mas sinaliza que quem costuma voar terá que se acostumar a passar por mais turbulências até chegar ao seu destino.

3. Descongelamento de icebergs no Ártico e na Antártida. Em 2017, um iceberg maior do que o Distrito Federal, com mais de um trilhão de toneladas e 5.800 km2, desprendeu-se da Antártica. Mais um sinal de alerta pro que pode acontecer no planeta.


 
4. Migração. As novas condições do clima obrigam as espécies animais a se adaptar à nova realidade e a mudar as rotas normais de migração. O problema é que há o risco de que parte delas não encontre um ambiente habitável – é o caso dos cangurus encontrados mortos em regiões ermas da Austrália, por causa do calor. 

5. Extinção de recifes. Os recifes de corais, considerados a espinha dorsal do ecossistema marítimo, correm risco de extinção por causa de aquecimento do seu habitat, o mar. A extinção de uma quantidade elevada de corais pode comprometer a sobrevivência de peixes e algas, que se alimentam e se abrigam nos recifes.

6. Furacões. Em 2017, três furacões atingiram o território norte-americano em um curto período de tempo – um deles foi o furacão Irma, o maior a passar pelo Oceano Atlântico. Ainda é incerto dizer que as alterações climáticas estão estimulando as ocorrências de uma quantidade maior de furacões e maremotos, mas especialistas apontam que a força desses desastres naturais aumenta em razão do aquecimento da Terra.

E nós com isso?

Se você pensar no futuro daqui a dez anos, é bem provável que as mudanças pouco interfiram no estilo de vida do homem, a não ser que ele esteja no caminho de um furacão ou esteja num calor de 50 graus sem ar condicionado.

Mas, se você jogar 50 anos pra frente, vai começar a ficar perigoso. Temos hoje quase 8 bilhões de pessoas pra alimentar. O número ainda vai aumentar muito.

E não é só. Cada um de nós quer, sonha, anseia por ter o padrão de vida de um europeu, de um norte-americano. Milhões de chineses estão cada vez mais ricos e mais perto de concretizar o sonho.

Mas isso nunca será possível pra todos, mesmo extinguindo tudo o que a Terra pode oferecer. A busca por essa qualidade de vida, no entanto, vai levar a cada vez mais devastação, ao uso de técnicas cada vez mais danosas (como venenos pra garantir alimento, mais gado - e o efeito estufa que provoca - em áreas verdes, mais agricultura derrubando florestas). 

Quanto menos florestas, maior o aquecimento global, maiores as mudanças climáticas, maior o risco de que o futuro se pareça com um filme de catástrofe. Ou, mesmo, com o que acontece na Terra em "Interestelar", onde, na região dos Estados Unidos que é mostrada, só resta o milho.

O fazendeiro e sua irmã, em "Interestelar". Pra plantar e colher, apenas milho. E pode acabar. Foto Divulgação

A mudança para outro planeta é possível? A tecnologia atual não permite isso. E talvez seja muito difícil encontrar um "buraco de minhoca", a hipótese científica que permitiria um atalho no tempo e no espaço para atingirmos, em poucos anos, planetas que estão a milhares de anos-luz de distância.

A outra solução, que nos permitiria continuar vivendo aqui, embora sem todo o conforto que a classe média conta hoje, seria fazer exatamente o que mandam os ambientalistas. 

Reciclar, eliminar o consumismo, retirar da Terra só o que ela pode dar sem acabar com o fornecimento no futuro, despoluir os rios, os mares e a atmosfera. Viver com menos pras outras gerações terem com o que viver. Com sustentabilidade, a palavra da moda.

E, especialmente, zelar com carinho pelo que ainda resta de selvagem, de intocado, onde o homem ainda não chegou com motosseras, com tratores, com essa ânsia humana de dilapidar.

Esse cuidado vale pras árvores da nossa rua, pro riacho que atravessa o bairro, pro Parque Nacional que temos "em nosso quintal", pra selva amazônica, pra Antártida e todo o pouco que ainda resta de puro. 

Plantio de árvores em avenida de Foz. Correto. Mas falta replantar onde foi retirado. E ter um projeto ambiental mais amplo. Foto PMFI

Esse artigo é só uma reflexão pra marcar esta terça-feira, 4, antevéspera do Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho. 

Precisamos pensar nisso, porque quem deveria pensar e agir pra controlar abusos, não está nem aí pra isso. Ao contrário.

E esse é o perigo de agora e de sempre.

Por que a margem paraguaia de Itaipu deveria, mas não contém gastos? Parte II

Cláudio Dalla Benetta

Dando sequência ao tema do título, vamos para um pouco da história de Itaipu.

Em 1994, a usina devia US$ 16,8 bilhões a bancos brasileiros e US$ 1,8 bilhão a bancos estrangeiros. A receita, naquele ano, foi de US$ 2,03 bilhões. 

Em 1995, quando Euclides Scalco assumiu como diretor-geral brasileiro, encontrou uma situação financeira caótica. As tarifas fixadas para a energia da binacional eram "irrealistas", e a empresa acumulava dívidas e mais dívidas, principalmente em dólares, que se somavam aos juros crescentes no mercado internacional.

O déficit operacional previsto para 2023, se nada fosse feito, atingiria US$ 88 bilhões, como escreveu Scalco à época, em artigo no jornal (extinto) Gazeta Mercantil. Em 40 anos de operação comercial da hidrelétrica, só seriam amortizados 4/5 do custo de construção.

A Diretoria Executiva (ambas as margens) e o Conselho Administrativo de Itaipu apresentaram a situação à Eletrobras e à Ande. A Eletrobras trouxe então a proposta, depois de muitas análises, de assumir toda a dívida de Itaipu, com base no dólar, a juros quase metade inferiores aos que Itaipu pagava aos credores (depois, ainda foram revistos para baixo).

A Eletrobras propôs um aumento de 7% na tarifa da energia elétrica de Itaipu e, a partir dali, correção anual baseada no índice de inflação dos Estados Unidos.

E ainda sugeriu que Itaipu adotasse uma política de contenção de suas despesas de exploração, de modo a adequá-las às metas fixadas pelo Conselho de Administração.

Saneada financeiramente, Itaipu passou a contar com uma tarifa que permitia o pagamento da dívida, agora tendo como credora apenas a Eletrobras, e não mais dispersa entre diversos bancos nacionais e internacionais. A tarifa ainda garantia o custeio, o pagamento de royalties e outras despesas previstas em orçamento.

Sempre aqui

Note-se que, sempre, a iniciativa de propor e discutir questões relativas às finanças de Itaipu partiu da margem brasileira. O motivo é simples: foi o Brasil que contraiu as dívidas da construção, e se Itaipu não tivesse dinheiro para bancar o débito com a venda de eletricidade, caberia ao governo quitá-las.

Da mesma forma, hoje acontece de a Itaipu Binacional precisar enxugar despesas para baixar o custo da tarifa, paga quase integralmente pelo consumidor brasileiro de eletricidade. Em números redondos, o Brasil consome cerca de 90% da energia produzida por Itaipu. Por isso, os brasileiros bancam 90% dos custos totais da binacional. 

Quanto mais Itaipu gastar, maior será a tarifa e menor a condição de o brasileiro ter vantagem com o custo da usina que mais oferta energia ao mercado nacional. 

Escritórios

Alguns diretores de Itaipu se destacaram pela coragem de enfrentar sindicatos, espírito de corpo e outras condições complicadas. Se Fernando Gomide (1993-1995) conseguiu a proeza de propor e conseguir a aprovação do Conselho Administrativo de Itaipu para enxugar o quadro de pessoal, antes dele Fernando Xavier (1990-1991) brigou com meio mundo para fechar os escritórios que Itaipu mantinha em São Paulo e no Rio de Janeiro.

No auge da construção e da compra de equipamentos, os escritórios eram, digamos, necessários para facilitar as negociações, o desembaraço aduaneiro e a fiscalização inicial do que era comprado. E, também, para os pagamentos pelas compras.

Em 1990 já não se justificavam. Quem quis permanecer em Itaipu tinha que escolher entre vir para Foz ou para o escritório de Curitiba. Muita gente pediu demissão, mas a maioria se transferiu, especialmente pro escritório de Curitiba, que mais tarde ficaria "inchado" (três vezes mais que o número atual, de 150 empregados).

Depois de Scalco, veio Jorge Samek como diretor-geral brasileiro. Ele não fez nada em relação ao escritório, mas manteve o quadro próprio do lado brasileiro rigorosamente dentro do que havia sido estabelecido lá no passado.

Tanto na gestão dele como na dos que o sucederam, houve indicações políticas para alguns cargos importantes, mas permaneceu o quadro mais enxuto que o paraguaio, onde aliás as indicações de políticos são ainda mais impactantes, talvez porque a diretoria da binacional fique bem próximo aos poderes paraguaios. E tenha um escritório que pode abrigar esses apaniguados.

Agora, vivemos a era de Joaquim Silva e Luna. Até aqui, irrepreensível. Reduziu gastos, sem prejudicar programas sociais. Vai construir obras, mas com o firme empenho de não alterar a tarifa. E vai praticamente fechar o escritório de Curitiba.

Ele quer reduzir os custos, ao longo de sua gestão, para que a tarifa possa finalmente baixar. Se houver apoio dos paraguaios, será mais fácil obter êxito.

A começar pela transferência do escritório de Assução para Hernandarias, onde fica a parte paraguaia da usina. Por que Assunção? Apenas por interesses políticos. Pra isso, bastaria uma representação, como Itaipu tem em Brasília.

Fica a dica, mais uma vez.

No Facebook

Em artigo recente, sobre a possibilidade que aventamos de a Itaipu do lado paraguaio transferir seu escritório para Hernandarias, muitos leitores, no Facebook, fizeram críticas.

Houve alegações como "o Paraguai é soberano", "o Paraguai faz lá o que bem entende", "o Brasil não pode interferir", etc, sem contar ofensas pessoais.

Claro que o Paraguai é soberano. Mas nem o Brasil e nem o Paraguai podem fazer o que bem entendem em Itaipu, que é uma empresa binacional "indivisível", como diz recente matéria distribuída pela assessoria de imprensa do paraguaio de Itaipu.

Ou "una e única", como diz o diretor-geral brasileiro, Joaquim Silva e Luna.

Itaipu funcionaria bem melhor com uma linha única de fato. Sem ingerências políticas, daqueles que só querem usufruir o bem-bom do dinheiro público. E voltada aos interesses do consumidor de energia elétrica, que paga caro por ela, e do cidadão, seja ele brasileiro ou paraguaio.

Por que a margem paraguaia de Itaipu deveria, mas não contém gastos? Parte I

Cláudio Dalla Benetta

Ao contrário do que muita gente pensa, não existe uma "Itaipu paraguaia" e uma "Itaipu brasileira". A empresa é uma só, indivisível, com duas diretorias (paraguaia e brasileira) que respondem a um Conselho formado por integrantes dos dois países.

Mas há, talvez, uma maior preocupação do lado brasileiro de reduzir os custos em geral, porque é o consumidor de energia do Brasil que arca com 90% de todos os gastos da usina, já que consumimos este percentual da energia produzida por Itaipu.

Estes custos incluem o pagamento de royalties tanto pro Brasil como pro Paraguai.

Isso explica o empenho do atual diretor-geral brasileiro, Joaquim Silva e Luna, que já cancelou convênios e patrocínios sem base na missão da empresa e, inclusive, decidiu praticamente extinguir o escritório de Itaipu em Curitiba, pra reduzir gastos com passagens, aluguel do prédio, diárias, etc, etc.

Agora, a margem paraguaia adota o mesmo discurso de racionalização de gastos, mas ainda é preciso ter boa-fé pra acreditar nisso.

Mesmo porque não há nem a hipótese de reduzir o escritório em Assunção, com a vinda dos empregados pra Hernandarias. Já imaginou como seria bom pra fronteira ter todos por aqui, com os recursos a mais que passariam a circular na região?

Ao invés da mudança, a Itaipu margem direita, em matéria recente produzida pela assessoria de imprensa,  diz que está implementando novas políticas que regulem os deslocamentos de pessoal, assim como o uso de ferramentas tecnológicas que permitam realização de reuniões de trabalho que não requeiram a presença física.

No lado de cá, já se estimou que a economia acumulada com a migração do pessoal de Curitiba pra cá, até 2023, será de R$ 7 milhões. Mesmo tendo que pagar o adicional de fronteira, de 13%, sobre o salário dos cerca de 150 "itaipuenses" da capital.

Voltando ao lado paraguaio, a informação é que, "desde o início das gestões da administração atual de Itaipu, margem direita, está sendo levada adiante uma política de otimização de recursos que, em algumas áreas, inclusive, foi implementada durante a administração anterior e mantida pelas autoridades atuais".

"Binacional e indivisível"

Segue o texto: "Esses ajustes respondem ao feto de que Itaipu, como é uma empresa binacional e indivisível, deve financiar obras de grande envergadura sem ter que aumentar seu orçamento ou recorrer a empréstimos".

O "indivisível" usado pelos paraguaios se assemelha ao "una e única" que o diretor-geral brasileiro utilizou recentemente. Isso se chama afinação de discurso.

As "obras de grande envergadura", nos dois lados, têm que se pagas com o que é obtido com a venda de energia. Mas sem aumentar a tarifa, dizem também as duas margens.

Alderete e Luna e Silva, discursos parecidos, mas e na prática?

Do lado brasileiro, tem a Ponte da Integração Brasil-Paraguai, o Mercado Municipal de Foz, programas e ações desenvolvidos nos municípios do Oeste do Paraná, pra ajudar no desenvolvimento regional e como forma de Itaipu compensar pelo uso da água do reservatório, que inundou 1.350 quilômetros quadrados de áreas que hoje poderiam ter outro aproveitamento econômico.

Itaipu já paga royalties, e são um valor importante. Mas convenhamos que a região merece mais, mesmo porque não consome diretamente a energia que a usina produz, direcionada principalmente aos grandes mercados consumidores do Sudeste.

"Ministério de obras"

O mesmo vale para o Paraguai, só que, no país vizinho, Itaipu é praticamente um ministério de obras.

Confira onde a binacional está investindo e pretende investir, no lado de lá:

* Solução viária para o km 7 de ciudad del Este - US$ 11 milhões
* Obras complementares da ponte, em Presidente Franco - US$ 35 milhões
* Programa de bolsas universitárias - US$ 8 milhões
* Fortalecimento e modernização da rede de distribuição elétrica no Paraguai - US$ 38 milhões
* Modernização da agricultura familiar - US$ 4,8 milhões
* Implantação da Costanera e Praia de Salto del Guairá - US$ 4,5 milhões
* Ponte Bioceânica, entre Carmelo Peralta-Porto Murtinho - US$ 75 milhões
* Instalação do maior centro ambiental da região (prazo de 4 anos) - US$ 30 milhões
Total: US$ 210 milhões

Agora, compare: o Ministério de Obras Públicas do Paraguai tem orçamento, para este ano, de US$ 840 milhões. Isto é, só o que a margem paraguaia de Itaipu listou (e há outros investimentos, nos mais variados setores) representa 25% do orçamento aquele ministério. Muito significativo!

O diretor-geral paraguaio, José Alberto Alderete, diz que, "com o mesmo orçamento, (Itaipu) tem que cobrir o financiamento das obras citadas, sem ter que modificar a tarifa, para evitar que o impacto recaia no preço da energia, o que exige implementar uma política binacional de reordenamento de gastos".

Como na margem brasileira. Aliás, os patrocínios, no lado brasileiro reduzidos à metade, também serão revistos pelos paraguaios, com "critérios mais precisos" para a concessão, segundo a matéria.

"Enxugamento"

Agora, um pouco de história.

Em 1994, quando o diretor-geral brasileiro era Fernando Gomide, a Itaipu definiu um programa de adequação da força de trabalho na usina, inclusive com incentivos e vantagens para o pessoal que quisesse se desligar voluntariamente.

A redução de empregados baseou-se em estudos de uma consultoria internacional, que levou em consideração todas as áreas nas duas margens. Diz-se, por sinal, que esta consultoria apresentou um resultado desconcertante: Itaipu poderia funcionar apenas com 200 empregados.

Mas isso não foi levado em conta, e sim a proposta mais realista. Ficou definido que os 6.128 empregados das duas margens, em 1994 (olha só a multidão!), seriam reduzidos a 4.467, no ano seguinte, e assim progressivamente até chegar a 1.500 de cada lado, em 1998.

Em 1994, havia 2.780 empregados no Brasil e 3.348 no Paraguai. Com a redução progressiva, no ano seguinte seriam 2.100 no Brasil e 2.368 no Paraguai; em 1996, 1.860 e 2.012, respectivamente; e 1997, 1.620 e 1.660, no Brasil e no Paraguai. Até chegar a 1.500 em cada margem.

Sempre mais

O lado brasileiro fez sua parte. O Paraguai diminuiu o pessoal, mas ainda hoje tem mais empregados que no lado brasileiro.

No Brasil, em números de maio deste ano, há 1.382 empregados; no Paraguai, 1.662 empregados, 280 a mais. Nunca a margem paraguaia chegou aos 1.500 que estavam definidos, por decisão da diretoria e do Conselho Administrativo de Itaipu, para o ano de 1998 (e que não poderiam mais subir além disso).

No entanto, mesmo com 280 empregados a mais, o diretor-geral paraguaio diz que precisa fazer um processo seletivo externo para contratar mais.

A alegação é de que a Itaipu foi afetada pela redução do quadro próprio em áreas muito importantes, devido à "aposentadoria massiva de empregados", e por isso essas carências em "atividades impostergáveis" hoje são cobertas por meio de horas extras, "com seus correspondentes custos".

Outra alegação é que na margem direita há uma grande extesão de reservas e refúgios biológicos, de Hernandarias a Salto del Guairá, totalizando 63.678 hectares de bosques nativos, "as quais devem ser administradas e resguardadas por um plantel de segurança da entidade as 24 horas".

Isto é, o quadro paraguaio vai aumentar ainda mais. O ano de 1998 ainda não chegou.

Leia amanhã: o ano em que Itaipu saiu do sufoco

União quer que indústria do cigarro pague os gastos com saúde. E o cigarro paraguaio?

Cláudio Dalla Benetta

A princípio, está correto. Quem fabrica cigarros deve ressacir o governo dos gastos de saúde pública com as enfermidades provocadas pelo vício do tabagismo.

E é isso que a Advocacia Geral da União pretende: fazer que a Justiça exija das maiores fabricantes que arquem com estes custos.

O argumento de uma dessas fábricas, no entanto, é avassalador: se metade dos cigarros consumidos no Brasil vem do Paraguai, quem vai então pagar a outra metade dos custos?

Eis o dilema. O Brasil aumentou os preços dos cigarros, progressivamente, até que o preço alto - considerado fator fundamental - desestimulasse cada vez mais e mais fumantes. Hoje, eles representam oficialmente 10% do total de brasileiros, um terço do que representavam há uns 30 anos.

O problema é que o cigarro paraguaio, mesmo com toda a repressão, entra no Brasil por um preço que no máximo chega à metade do menor preço praticado no país. 

Dentro do próprio Brasil há fábricas clandestinas de cigarros paraguaios, que usam maquinários vindos sabe-se lá de onde e matéria-prima do país vizinho. Os paraguaios têm "filiais" pra todo lado.

É um negócio extremamente rentável. Tanto que os traficantes utilizam o contrabando de cigarros pra se fortalecer no tráfico de drogas, que rende muito mais, mas envolve mais riscos.

Pena branda

Contrabandista de cigarro, se for primário (o "mula" que às vezes cai) nem vai preso, com bom advogado.

Foi o caso de um homem que levava mais de mil pacotes de cigarros. Condenado a um ano de prisão, entrou com recurso e a prisão foi substituída por pena restritiva de direito. Deve continuar na ativa.

Se é um produto que todos sabem que faz mal à saúde, a pena não deveria ser maior? O Código Penal Brasileiro precisa ser revisto.

Não só pelo mal que o cigarro faz à saúde, mas pelo dinheiro que as quadrilhas de traficantes amealham e na cada vez maior experiência que adquirem para entrar com drogas ilícitas. Onde vai o cigarro, vão a maconha e a cocaína. Onde cai o cigarro, muda-se a rota das drogas.

Quando prendem contrabandistas de cigarros, os delegados tentam fazer com que ao contrabando se some outro crime, bem mais grave perante a lei: formação de quadrilha. Nem sempre conseguem, mas é um bom caminho pra evitar mais e mais brasleiros com doenças graves provocadas pelo tabaco.

Quanto à punição aos fabricantes de cigarros, é justa. Que paguem pelo que seus produtos provocam. Mas também deveriam ser processados os fabricantes paraguaios, na mesma proporção do que deveriam pagar as fábricas instaladas no Brasil e suas matrizes.

Aliás, é fácil identificar pelo menos quem é o maior "tabacalero" paraguaio: é o ex-presidente Horacio Cartes. As marcas de cigarros de sua fábrica hoje são tão conhecidas entre os fumantes quanto as mais traficionais produzidas no Brasil

Principalmente, claro, entre as classes mais pobres. Os cigarros são mais acessíveis e, com isso, estimulam o consumo justamente entre as pessoas com assistência médica muitas vezes deficiente, em rincões Brasil afora.

Se provoca doenças, o castigo pra quem contrabandeia cigarros paraguaios deveria ser mais ou menos semelhante à de quem faz contrabando de medicamentos, que se sujeita a penas entre dez e 15 anos de prisão, além de multa.

Lógico que, no caso de medicamentos, nem sempre a Justiça é tão rigorosa, muitas vezes dando penas mais breves quando são remédios menos danosos, por exemplo. Mas existe a possibilidade de o juiz usar o rigor, se achar justo.

Subir o preço?

A questão dos cigarros, que levou o ministro da Justiça, Sérgio Moro, a propor (erroneamente) um barateamento dos cigarros brasileiros, para reduzir o contrabando dos paraguaios, merece uma análise mais aprofundada do governo.

Não dá pra baratear o cigarro brasileiro, já que foi um dos fatores que levaram à redução do consumo. E é0 impossível, praticamente, eliminar o contrabando. 

A linha de ação deve passar, necessariamente, por pressões sobre o Paraguai, onde o Congresso, recentemente, deixou de aplicar um aumento de tributos sobre o cigarro, deixando de atender recomendações internacionais e cedendo ao "apelo" da indústria tabacalera e seu maior porta-voz, Horacio Cartes.

Sem a participação do Paraguai, a guerra contra o cigarro e seus malefícios está perdida, porque a repressão apenas diminui o lucro dos contrabandistas, mas não os tira do mercado brasileiro.

Turista precisa evitar certas lojas no Paraguai. Às vezes, nem a polícia ajuda

Cláudio Dalla Benetta

Os turistas brasileiros que atravessam a Ponte da Amizade pra fazer compras em Ciudad del Este deveriam ser informados sobre duas questões importantes:

- a primeira: não aceitar acompanhar os "guias de compristas" que prometem os preços mais baixos em determinadas lojas. Há dezenas de casos do turista ser roubado quando chega à loja.

- a segunda: só adquirir mercadorias em lojas idôneas, normalmente as maiores, ou em shoppings, como o Paris, pra ficar só num exemplo. 

Depois de ser lesado no comércio paraguaio, nem sempre adianta procurar a Polícia Turística, criada justamente para atender esses casos.

E não é este blog que afirma isto. O jornal La Clave, de Ciudad del Este, denuncia que "os agentes (da Polícia Turística) não cumprem sua função, e chegam a conspirar com os comerciantes que enganam compradores".

E mais: "nunca tomam medidas contra as atrocidades cometidas pelos comerciantes".

Em matéria publicada há alguns dias, o La Clave contou que um turista de Santa Catarina, Marcos Custódio, foi vítima de um golpe na loja Ebay Shop Electrónicos en General, que funciona no subsolo do Shopping Mina India. 

O turista comprou um aparelho receptor de TV, pelo qual pagou 1.152.000 guaranis (cerca de R$ 750), com um cartão de débito Ouro Card Internacional.

O vendedor Rodrigo Maciel debitou no cartão a soma e entregou ao turista a fatura de compra. No entanto, depois se recursou a entregar a mercadoria.

Nervoso, Marcos Custódio chegou até a querer agredir o vendedor. Foi quando veio Diego Feliciano Maidana Navarro, que disse ser responsável pela loja e queria saber o que estava acontecendo. Não resolveu nada e ainda expulsou o turista da loja.

Marcos Custódio procurou a polícia para denunciar o golpe de que fora vítima. Mas, segundo o jornal, continuou sem receber a mercadoria.

Portanto, a dica é: procure uma loja confiável. Há muitas, felizmente, que prezam o nome que têm.

Qualquer morador de Foz sabe indicar pelo menos meia dúzia em que se pode comprar com segurança. 

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