Trecho do parque em que passava o antigo Caminho do Colono, fechado pela segunda vez há mais de 20 anos - Foto: Marcos Labanca/Arquivo

Estrada no Parque Nacional do Iguaçu

OPINIÃO

Estamos estarrecidos com a possibilidade de cortarmos o Parque Nacional do Iguaçu para a construção de uma estrada. Isso mesmo, porque a antiga Estrada do Colono já desapareceu completamente, recuperada que foi pela mata. Portanto agora trata-se de uma nova estrada mesmo – que, supostamente ou não, seja traçada no leito possível do antigo caminho.

Sempre fica no ar uma pergunta que não foi até agora devidamente esclarecida, no que tange a saber quem serão os reais beneficiários dessa nova estrada. Pensar que possam ser os habitantes de pequenas cidades nas proximidades do Parque Nacional do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná, é algo bem difícil, pois já faz mais de 20 anos que eles vivem tendo outros contornos para alcançar novas áreas de contato.

Alegam alguns que seriam ampliados espaços para o turismo, o que absolutamente não procede, uma vez que em Foz do Iguaçu existem esses espaços que são muito bem cuidados e amplamente utilizados, não havendo nenhuma necessidade de abertura de outras frentes de acesso, até porque estariam muito perto das áreas que já são utilizadas para essa finalidade.

Penso, sim, que o Parque Nacional do Iguaçu deva ser preservado, até porque, tombado pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade, isso tem de ser levado na devida consideração. Podemos criar formas de utilização dessa área para o bem da humanidade como um todo.

Nesse sentido é possível e viável constituir dentro do parque uma instituição de estudos ambientais, com utilização da Unesco e participação de pesquisadores das universidades locais, tanto brasileiras, quanto argentinas e paraguaias, trazendo cientistas de outras partes do planeta para estudarem a flora e a fauna do Parque Nacional do Iguaçu, visando ao desenvolvimento do conhecimento científico que muito ajudará a humanidade, tanto agora como no futuro.

Temos ainda que toda essa região do Parque Nacional do Iguaçu extrapola as nossas fronteiras, adentrando em território argentino e tendo aí também a existência de um parque nacional. Isso significa que, neste momento, mexer no parque, na porção brasileira, terá também resultados na parte argentina.

Penso que, finalmente, existem outras grandes questões que merecem muito mais a atenção do Congresso Nacional.

*José Afonso de Oliveira é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu.
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Professor Afonso

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